domingo, 22 de agosto de 2010

Divagações sobre a ditadura, patriotismo e economia mundial.

Que saudades da ditadura!

Há 25 anos atrás, seria impensável uma frase dessas por parte da população. Eu não era nascida na época da ditadura, não me lembro de nada muito relevante das aulas de história, também, além de saber que HOUVE uma ditadura, advinda de um golpe militar, os presidentes foram tais, AI-5, de repente galere pediu Diretas Já e o Tancredo assumiu (e morreu). Isso era informação suficiente pra ficar com uma média 8,0 em história no 2º ano. Pra ter média 10, era bom lembrar das datas. Nunca nenhum professor se deu ao trabalho de explicar o PORQUE disso tudo. Só dizia que a ditadura era má e Diretas Já era um movimento popular heróico, o Brasil venceu, livramos eles dos vilões, e agora apenas aquele político eleito pelo povo, soberano, é que seria o legítimo chefes do executivo.

Calma. Eu não sou a favor de ditadura alguma. Ditadura é uma merda em qualquer lugar. Até quando a sua mãe é ditadora você já fica nervoso(a), imagina um chefe de Estado controlando a sua vida. O ponto é outro: é onde CHEGAMOS. Os militares ao menos eram patriotas e, ao final da sua vida, morreram muitas vezes até pobres. Política hoje: até vereador tem uma bela aposentadoria VITALÍCIA após os seus 4 anos no legislativo, propondo um ou duas leis municipais, se muito. Isso quando comparecem. Claro, quem definiu os salários e dias de trabalho foram eles mesmos. Olha, estou falando de um simples vereador de uma cidadezinha qualquer, em um estado qualquer. Imagine outros cargos.

Os militares assumiram o poder sob o pretexto da ameaça do COMUNISMO(oi, Fidel), em um ato de defesa da nação. Perguntei agora para a minha mãe se ela lembra de alguma coisa dessa época, se ela se fudeu mais ou menos com isso. Disse que era normal, não via diferença no cotidiano. Lembrou, no máximo, que um tio foi preso quando escreveu um artigo “suspeito” no jornal local. E que alguns políticos sumiram... É, a ditadura é uma merda.

Mas os militares eram patriotas. General Castelo Branco deve se revirar no túmulo enquanto os malditos neoliberalistas criminosos americanos e japoneses roubam e criam patentes de substancias da nossa própria Amazônia, ou quando estatizam a Petrobras sediada em outro país sem qualquer indenização a nós. Dia desses, ouvi falar que o Brasil não pode exportar açaí porque sei lá que país é detentor dos direitos. Headshot nesses filhos da mãe.

Antes que me perguntem: os termos são coincidentes, eu não odeio o liberalismo, liberdade econômica, no caso, tampouco sou patriota. Enéas era. Ríamos quando o eterno candidato a presidente pelo PRONA, o único partido com legenda de sonoridade legal, defendia a bomba atômica brasileira. Hoje entendo a mensagem que o falecido deputado mais votado da história desejava passar: “Respeitem o Brasil. Eu tenho uma bomba e não pretendo explodi-la no seu país. Mas se vierem me roubar, mudo de idéia, filho da puta”.

Afinal, o que uma coisa tem a ver com a outra? Liberalismo = direita, mas liberdade não é o contrário de ditadura? –Q? Não. Liberalismo = estado mínimo, mas o oposto de comunismo, a esquerda econômica, portanto, "direita". Ditadura: direita social, conservadora, economia whatever(se esquerdista, estado máximo = Cuba, e em menor grau, o próprio regime militar brasileiro). Entenda Estado Mínimo como o país sendo responsável apenas pelo provimento de suas funções mais básicas, sem grandes intromissões na economia e nos costumes. E tem a Anarquia, conceito popularmente ainda mais anarquizado que o seu próprio significado original. Mas esse fica pro próximo. A World War III imaginária, também.


segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Tiro de advertência

Você tem três minutos para decidir se Mercenários (Expendables – 2010) é um bom filme ou não. No terceiro minuto de filme, Gunner (Dolph Lundgreen – Rocky 4) avisa que vai dar um tiro de advertência.

O Tiro de Advertência de Lundgreen é na verdade um artifício de roteiro para Os Mercenários. Ele é um tipo de artifício muito usado no cinema, embora poucas vezes utilizado na maneira como em Mercenários. O Tiro de Advertência no filme dirigido por Stallone na verdade é um momento crucial para testar o elo que o espectador tem e terá com o filme. Se você não gosta do Tiro, se por algum motivo pessoal ou estético aquilo não lhe agrada, saia do cinema, desligue o DVD (se estivermos 3 meses no futuro), ou clique no X e delete o filme do HD, pois, se você não entende a magia do Tiro de Advertência, Mercenários não é um filme para você.

Stallone é um cara gente boa, ao contrário do que a putinha paga da Globo anda falando por aí, ao contrário que o sua amiga com PC do Milhão ou Pecê Positivo vem xingando muito no Twitter. E Stallone é um cara gente boa porque ele aos 3 minutos de filme te dá a chance de sair do cinema, mudar de sessão, pedir o dinheiro de volta, fazer biquinho ou então dar uma gargalhada altíssima e fazer você pensar consigo mesmo “caralho, era bem isso que eu queria ver”. E então você fica até o final da sessão.

Eu não vou dizer que é o melhor filme do ano, porque não é. Talvez, numa análise extremamente passional ele é. Eu não vou dizer que é o melhor filme da década, porque também não é. Muito menos ele é o melhor filme do Stallone. Ou do Arnold. Ou do Li. Ou do Statham. Ou Crews, Willis, Rourke, Coulture, Austin, Roberts e por aí vai.

Não é melhor que Rambo, Rocky ou Demolidor. Não é melhor que Exterminador do Futuro 2, True Lies, Predador ou Comando Para Matar. Não é melhor que Duro de Matar.

Mas isso não impede do filme ser divertido. E isso ele é. Isso mermão, não tem como negar. Ele é um filme divertido.

Esses dias eu defini A Origem – outro ótimo filme de 2010 – como aquele filme que você senta na cadeira do cinema, põe um punhado de pipoca na mão, toma um gole de coca e diz: “manda ver”. E o filme faz isso com você. Ele manda ver. Mostra uma orgia audiovisual na sua frente e tudo que você faz é sorrir para si mesmo e pensar que fazia tempo, muito tempo que o cinema não lhe agraciava como coisa parecida. Só lembro de Matrix e Clube da Luta. Onze anos.

Mercenários é parecido, ainda que num menor nível. Ao invés de Origem, que manda ver na sua frente e você sente que sai do cinema como se tivesse levado um tapa na cara – aqueles tapas não-ruins, que são bons por algum motivo ou por algum mesmo motivo são necessários–. Stallone consegue fazer o mesmo, de maneira bem menos genial, ou quem sou eu para definir o que é genial ou não? Aquilo, numa ótica e numa perspectiva bem singela e única, é também genial.

Continuando. Stallone faz o mesmo. Senta na cadeira, punhado de pipoca, coca-cola (se você for TRUE leva cerveja pro cinema), diz “manda ver” e daí pra frente é só TAPA NA CARA.

Só que o tapa na cara de Stallone não é o mesmo de A Origem. O Tapa Na Cara de Stallone não é um tapa, e nem é um, são vários, e são SOCOS, e não são direcionados ao Espectador, porque esse não vai no cinema ou aluga um DVD daqueles mestres para levar tapa na cara. Vai ou aluga porque quer ver tapa na cara. Soco na cara. Chute na cara. Explosão na cara.

E isso, Stallone faz.

Técnica, roteiro, arte. Pra quê?

Pra quê isso? Porque não uma vez nesse ano sentar na poltrona do cinema e ver algo que mostra nossos mais puros instintos de animalidade plus explosões?

Tiros, explosões, frases engraçadas, tiros, explosões, frases engraçadas, uma tentativa de rima péssima de Statham, mas divertidíssima na ótica de alguém que já saiu pra beber com os amigos e tentou se aventurar da mesma maneira; explosões, tiros, explosões, frases feitas, explosões. Durante uma hora e meia.

“A única coisa mais rápida..” “É a luz, eu sei”
“Você é um cara legal, vou te apresentar a minha namoradinha. Essa é Omaya. Omaya KABOOM”
“250 tiros por minuto. 250. Tiros. Por minuto.”
“Vou dar um tiro de advertência”
“TIRO DE ADVERTÊNCIA!!!!11one!”
“O que o Gunner está fazendo?” “Enforcando um pirata” “Não, ele não pode estar fazendo isso. Gunner, o que você está fazendo?” “Enforcando um pirata!”

Quer mais? FODA-SE.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Dawkins, Campbell e Abreu


Duas das obras literárias mais fantásticas que eu já li chamam-se, não em ordem de importância: O Gene Egoísta, de Richard Dawkins; e O Herói das Mil Faces, de Joseph Campbell. Junto deles, só consigo pensar agora em Cultura de Convergência e os trabalhos de ficção Neuromancer e O Arco Íris da Gravidade.

Esses são nesse exato momento, possivelmente os livros mais importantes que já li na vida, e que vieram a moldar o meu pensamento sobre o que foi o mundo e o que é o mundo, sobre o que foi a sociedade e sobre o que é a sociedade.

Não que isso importe alguma coisa.

Mas vou me concentrar nos dois primeiros e descartar os três últimos, novamente, não por causa de preferência ou por qualquer hierarquia de importância ou coisa parecida, mas porque simplesmente eles não se encaixariam na proposta desse texto. Talvez Cultura de Convergência se encaixasse um pouco, mas eu teria que andar muito até chegar nela.

Conheci O Gene Egoísta por intermédio de uma das mais absurdas situações, que jamais me acharia inclinado a procurar um livro. Foi uma entrevista, não sei para quem nem quando, que Hideo Kojima deu sobre a série Metal Gear Solid. Para quem não sabe, e não lhes culpo por isso, Kojima é uma das mentes mais brilhantes hoje no entretenimento interativo.

Ele, alias, é Mestre.

Kojima é como o Tarantino dos videogames, não pela escolha semelhante de temas, pois os dois se diferem consideravelmente nisso, mas no fato que é uma das mentes mais capazes e geniais ao trabalhar com referências. Quentin e Hideo são dois produtos de cultura pop e influenciados diretamente pelo lixo cultural de suas épocas, que como em todas as coisas, faz parte de um desenvolvimento cíclico de cultura: o que inicia o ciclo como lixo, depravado, dispensável e desprezível, torna-se ícone e ídolo no final dele.

Os dois conseguiram pegar o que era desprezado por crítica e mainstream em suas infâncias e adolescências, que durante juventude e inicio de vida adulta tornaram-se lixo acultural, e que com o reconhecimento de seus respectivos trabalhos tornou a conquistar seus lugares de primeira classe na produção cultural contemporânea.

Não cabe aqui como eles fizeram isso ou o que tornaram a trazer ao seio da cultura pop atual. Isso renderia outros vários posts.

Voltando ao Gene Egoísta, Kojima disse que o livro foi uma de suas maiores inspirações para a realização da série Metal Gear Solid, principalmente o homônimo primeiro jogo, e o segundo, Sons of Liberty. Os dois jogos foram concebidos com um tema principal cada um, sendo o tema do primeiro GENE, e o do segundo MEME. As sequências, Snake Eater e Guns of the Patriots ainda trabalhariam com dois novos conceitos: SCENE e SENSE.

Não será analisado aqui, por maior que seja a minha vontade, a influência e o funcionamento de cada tema em seu respectivo jogo, assim como não será analisado aqui o mesmo conteúdo em qualquer um dos livros já citados.

Será feito na verdade, uma comparação entre dois autores – como a feita acima – Dawkins e Campbell.

Não será comparado semelhança ou diferença entre os autores e suas obras. Acho.

Será comparado a influência que cada obra teve na cultura popular ocidental – e graças a Kojima, oriental – contemporânea.

Eu vou tentar me espelhar em Dawkins o máximo possível e não deixar minhas opiniões pessoais transpassarem para essas linhas escritas. Creio eu, terei sucesso.

Sobre o Herói das Mil Faces, livro o qual faltariam a mim palavras para enaltecer sua importância, posso dizer resumindo em poucas linhas que é um dos documentos mais importantes para a nossa história contemporânea.

É, assim mesmo, redundante. Um dos documentos mais importantes da nossa história contemporânea, se você considerar a área que explora a manutenção e criação de cultura e ficção.

O Herói das Mil Faces é um livro que fala sobre mitos, e numa perspectiva psicológica, analisa a SEMELHANÇA e o impacto que uma diversidade absurda de mitos e histórias tiveram na formação das civilizações ocidentais e orientais.


Joseph Campbell, um dos maiores gênios do século XX, pegou uma série de mitos de todas as partes do mundo e mostrou no que eles eram iguais. Campbell queria, mais do que tudo, mostrar que não devemos nos odiar por nossas diferenças, mas procurar o entendimento, a compreensão, união e o amor naquilo que nos torna semelhantes.

Se Campbell conseguiu ou não, só anos o bastante no futuro para que possamos olhar para trás e analisar se deu certo ou não é que vão nos responder. Já se passaram 61.

Em Herói, Campbell utiliza-se da estrutura ficcional e mitológica do Monomito. O monomito, também chamado de Jornada do Herói foi a estrutura utilizada para equalizar todas as histórias, contos, mitos e fábulas que Campbell analisou.

Através dos conceitos e partes que compõe a Jornada do Herói, é possível notar claramente essa série de semelhanças entre fábulas e mitos da humanidade, e principalmente, como esses influenciam – e influenciaram – as nossas vidas e a civilização.

Talvez Campbell tenha almejado outros fins para os impactos que a Herói das Mil Faces e sua Jornada teria naqueles que notavam sua existência, mas uma coisa é certa: o maior impacto que o Monomito teve na nossa sociedade, foi exatamente na parte que engloba a criação e estruturação da nossa cultura popular.

Mas aquela cultura popular, comum a todos, comum ao mundo.

A influência desse documento acadêmico é tanta, que a lista de obras ficcionais e de entretenimento que ele influenciou é gigantesca.

Exemplo?

Star Wars, um dos maiores fenômenos culturais da nossa recente história. E eu não estou exagerando. Star Wars é praticamente O exemplo vivo e que foi acompanhado por todos da criação de uma mitologia tão rica, fantástica e grande quanto um universo.

O próprio criador da galáxia tão, tão distante disse que sem O Herói de Mil Faces a história de Star Wars jamais existira.

Talvez o mais incrível da Jornada do Herói e do Monomito não é nem as histórias que se basearam nela para serem criados, e digo isso daquelas histórias em que seus autores pegaram o documento físico, leram, interpretaram e criaram, mas das histórias e mitos que foram criadas baseadas nele e que seus criadores não tinham a menor idéia de estarem seguindo esse roteiro específico.

E são eles que provam que essa unidade de informação está tão enraizada na nossa cultura.

Joseph Campbell, ao contrário de muitos, percebeu que sua obra talvez não tenha tido aquele impacto, aquele significado inicial que ele almejava. Mas ele viu por outro lado que essa mesma obra tinha alcançado um significado tão importante quanto.

Campbell percebeu que sua obra acabou por fazendo parte de um outro ciclo, aquele em que residem as idéias e as criações. E viu que assim ele também poderia atingir ao menos parte de seus objetivos primários, pois o ciclo de idéias e criações funciona junto ao ciclo da cultura, que incide naquele ciclo da sociedade.

Situação semelhante aconteceu com Richard Dawkins. Ele tinha um objetivo inicial e oficial com seu Gene Egoísta: provar a importância fundamental do gene na evolução da nossa e de todas as espécies.

Durante se não me engano dez capítulos, Dawkins conta de uma maneira incrivelmente interessante para um documento acadêmico, a importância desta unidade fundamental de vida – o Gene – dentro da história do mundo.

No início de um dos últimos capítulos, Dawkins introduz um novo conceito até então pouco explorado e não oficialmente nomeado pela ciência, o Meme. É passível de interpretação, que todos os dez ou seja lá quantos anteriores capítulos do livro que falavam do Gene, serviram só para dar embasamento para o conceito recém introduzido. Eu acho que até o próprio autor fala isso.

Explica-se Meme como unidade não biológica, mas extremamente semelhante e de igual funcionamento ao gene. O meme, na verdade é uma unidade de informação, unidade essa que faz parte de algo maior, a cultura, assim como gene faz parte de organismo.

O meme é na verdade uma das unidades com maior poder, maior influência, maior abrangência com que o mundo já se deparou. O meme tem a capacidade de surgir em qualquer lugar, dentro de um organismo humano, no cérebro, ou dentro da própria cultura, de uma maneira que pode ser completamente espontânea e imprevisível.

O meme pode ser mais perpétuo e durar mais que o gene, e também pode existir desde um período de tempo indeterminado até eternamente. Essa unidade convive dentro do cérebro humano, junto a informação produzida na sociedade, junto a cultura produzida e mantida na sociedade, junto às disposições e preceitos que compõe uma civilização. O meme pode caminhar livremente em cada um desses organismos, podendo obviamente, se propagar em um ou em cada um deles.

O que Dawkins quis mostrar é que algumas coisas, que julga ele serem alguns dos maiores problemas do mundo, são também meme. Esse foi o objetivo não oficial de Dawkins, e que não por isso deixava de ser o mais importante.

O maior problema de Dawkins, foi que as pessoas não viram aquilo da mesma maneira como viram Campbell e seu monomito. O impacto que o Monomito teve na sociedade de cultura pop foi tão absurdo que amenizou qualquer sentimento de derrota ou falha que seu autor pudesse sentir. A forma como o Monomito seria capaz de alcançar ao menos parte dos objetivos iniciais de Campbell também fizeram ele de alguma forma valer a pena.

O Meme, assim como o Gene, foi apenas visto como unidade primordial de algo e coisa mais genial já compartilhada dentro do seu próprio mundo, dentro do seu próprio universo. O Meme até que se difere um pouco, já que ele interessa a uma outra camada de produção cultural que é também extremamente abrangente, diferente do Gene que só importa para aqueles que acham que isso importa.

Aconteceu, que no fim, Campbell viu que sua obra ainda que interpretada de maneira diferente serviria pra alguma coisa de seus objetivos iniciais, e que sim, ela contribuía de uma maneira até inimaginável para ele na nossa civilização. Ele sabia da importância que os mitos tiveram na construção da nossa civilização, e viu, com o seu trabalho, a importância que eles ainda teriam por muito e muito tempo.

Dawkins, por outro lado, não viu impacto semelhante ser causado pela sua obra. Foi, na verdade, tão egoísta quanto seu gene. Incapaz de aceitar que falhou em seu objetivo não oficial, incapaz de reconhecer que nada lhe valia o reconhecimento de seu objetivo oficial, incapaz de ver a maravilha que sua concepção de unidade fundamental da informação traria para o mundo quando não atingindo aqueles que tinha de atingir, quando não atingindo seus objetivos verdadeiros.

É por isso que esse cara me envergonha tanto hora ou outra, aqui e ali.


domingo, 25 de julho de 2010

Divagações sobre tudo que eu lembrar, até o final de uma página do Word.

Ia escrever sobre psicopatia. Só que, enquanto pensava em como começar, passou na TV uma propaganda do OMO, com crianças se tacando na lama, metendo a mão em vasilhas cheias de calda de chocolate, entre todas as coisas que significam desespero para uma mãe. Aí lembrei que não quero ser mãe. E lembrei que não quero falar sobre mim mesma, ao menos nada que não seja interessante. Pensei em religiosidade, orgulho ateísta, quem acredita em deus é acomodado, burro, manipulável, não leu Maquiavel, mimimi. É engraçado porque essas pessoas são tão idiotas quanto aquelas a quem se referem nas suas ofensas, e na maioria das vezes, piores, pois muitos religiosos sequer tiveram a oportunidade de conhecimento, alguma abertura para se questionarem. Ressalto que me refiro apenas aos idiotas, aqueles que querem que ateus, judeus, budistas, vão tudo para o inferno. E isso me lembrou fãs adolescentes de Felipe Neto/PC Siqueira. Particularmente, gosto mais do segundo, é esse cara aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=YCMK2nelTUo

Mas quem ilustra melhor, mesmo, é esse aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=2Lp7XO6oWCM

Ou seja, é a alternativa para as adolescentes do “contra”, que diante de um discurso bem feito(pelos outros), resolve dizer que quem gosta de modinha adolescente é idiota, mas quer casar com o Felipe Neto. É a mesma coisa com os ateus raivosos. Só que eu aceito o que vem de adolescentes, pois todos nós fomos idiotas na adolescência.
Este assunto está diretamente relacionado a pré-conceitos. Estou vendo blogs de moda. Poderia estar lendo um livro. A moda é algo complexo demais, eu mesma demorei a entender o sentido dela. Conheço muitas opiniões: “é ridículo, só serve pra alienar mulheres e fazê-las gastarem dinheiro”; “a moda é a forma de nos expressarmos, posso chocar a sociedade ou sumir na multidão”. Percebi que estou em um blog de moda para não chocar a sociedade e estar na divisa entre “sumir na multidão” e “agradar a mim mesma e aos outros, pelo menos a maioria”, na questão crucial da humanidade sobre “qual casaco usar por cima de um vestido de festa de formatura”. Eu gostava mais de quando a minha vida se resolvia ao entrar em uma loja de surf, apenas. Não que eu não goste de me arrumar, claro, todo mundo gosta. Mas naquela época usar uma camiseta trash com um símbolo da Roxy, uma calça jeans e um tamanco plataforma parecia bonito pra mim e pros outros. É que não ter paciência pode soar como “moda é uma merda”. Não é isso que eu quero dizer, tanto é que tudo que mais queria neste momento é um personal stylist de plantão, na minha porta, com 10 sacolas de lojas diferentes, todos os dias, e com 50 alternativas prontas para serem escolhidas por mim. Não quero me comunicar com o mundo desta forma, embora seja uma proposta louvável. A moda é até importante, porque incentiva pesquisa de novos tecidos, talvez de fontes sustentáveis, ou mais confortáveis, entre outros benefícios a sociedade. Dar dinheiro pra a quadrilha da Daslu é o de menos, roupas até que são legais. E é uma pena que pessoas que estudem moda não sejam levadas a sério. Falei de mim, afinal. rs
A página do Word está terminando. Calibri (Body), Fonte 11, espaçamento 1,5, parágrafos separados por espaços. Informação para simples conferência a quem interessar, ou seja, dê ctrl c + ctrl v e surpreenda-se com a veracidade da informação. Desconte as margens. Fim.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

domingo, 11 de julho de 2010

Vida, o universo, e Copa do Mundo.

Cinquenta e seis dias atrás eu iniciei um documento que salvei na minha pasta de documentos, pois pensei que não era aquele o momento de escrevê-lo.

Esse documento fala sobre a Copa do Mundo. Eu inicio ele dizendo que faltavam, naquele exato momento em que ele começava a ser escrito, 25 dias, 1 hora e 39 minutos para o início da Copa. Eu digitei uns três parágrafos e falei sobre o futebol, a importância dele para o mundo e para o Brasil e como a nossa seleção é a única no mundo a usar a palavra “Seletos” para designar-se a si mesma. Falei também do porque aquilo era importante para a nossa seleção, e como aquilo impunha um respeito para nós mesmo e para os outros.

Eu deixei de lado o texto, pois achei que tinha mais o que falar, mas não sabia o que. Imaginei que nos dias que seguiam eu teria algum assunto, e até me vieram algumas coisas, mas acabei não escrevendo.

Não desenvolvi no início da copa, nem na metade, nem antes do primeiro jogo do Brasil e nem depois dele, e tão pouco no segundo, terceiro, quarto ou quinto. Nem antes nem depois de quatro deles. Nem antes de cinco.

Inevitavelmente, eu venho falar do depois do quinto jogo, pois, se em algum momento decidi falar sobre isso, foi depois. Então depois é depois, após, o contrário de antes, pois antes dele só imaginamos e predizemos, só fantasiamos e pouco pensamos na realidade. Não pensamos na verdade.

Ou pensamos e nem nos tocamos disso. Eu pensei. E até comentei sobre as verdades que apareceram, e elas apareceram antes do quinto jogo, e depois fui perceber, elas apareceram lá bem antes da Copa, meses antes. Um mês, ou 45 dias, ou algumas semanas.

Lá, bem lá longe, as verdades surgiram. Não foram as verdades do “tinha de levar esse, esse e esse” nem tão pouco “não podia levar esse e nem aquele”. A verdade que eu vi, e só depois percebi – durante a Copa – foi a verdade da mídia brasileira, e o quanto eu desprezo ela com o mais profundo desdém.

E quando percebi isso, passei a torcer mais. Torcer duas, três, quatro vezes mais. Eu torcia pelo título, pelo seis. Passei a torcer também por um cara, e depois por outro, e também por outro.

Torcia pelo Lúcio, e isso ficou claro desde o início do blog. Eu já falei sobre ele, fiz uma homenagem, dizendo que ele mereceu levantar a taça das Confederações, e que dias antes tinham criticado ele. Ai ele foi lá e calou a boca de todo mundo. Épico. Um ano depois, hoje, agora, a poucos dias e semanas, elogiaram ele. A mídia que eu desprezo, por acaso, compartilha de minha opinião, e também elogiou e continua elogiando ele. No entanto, ele não tem taça nenhuma pra levantar. Mudou muita coisa.

Eu torcia pela Seleção, e também torcia pelo Lúcio. Ele tinha que levantar aquela taça. Ele tinha que fazer milhões em todo o mundo engolirem seco oito anos de crítica. Isso lava a alma de qualquer ser humano. Mas, infelizmente, isso não aconteceu. Ele pode ainda fazer isso, e com mais epic win agregado, fazendo 12 anos de críticas descerem quadrado milhões de esôfagos adentro. Mas não sei se vai acontecer.

Lúcio é o dois. Seleção o um. Três e quatro vêm juntos, não pra economizar linhas, pois fodam-se elas, mas porque três e quatro explicados e relacionados juntos tem uma razão de ser.

Três e quatro são Dunga e Felipe Melo. Sim, eu torcia para eles. Do primeiro ao último dia, e ainda estou torcendo, e por mais triste que eu esteja, um resquício de esperança ainda me faz cultivar essa felicidade.

Dunga fez tudo certo. Yep, ele fez tudo certo. Não é que ele não tenha errado, ele até pode ter, mas isso é uma questão de perspectiva. Depende de qual ângulo subjetivo você vê isso. Dependendo da perspectiva, ele pode simplesmente ter deixado de acertar um pouco mais.

Ele fez tudo certo, tudo mesmo, e mais um pouco. Ele escrotizou a mídia brasileira, e ela merecia ser escrotizada. A mídia brasileira precisa entender que o poder deles sobre a informação na Era dela é mínimo.

A Informação, na era que ganhou o nome dela, mudou. Ela pode ainda ser produzida por pessoas, e isso nunca vai mudar. Mas ela possui uma nova característica, ela pode, diferente de todas as coisas, – ou, vá lá, considere exceções se quiser, e elas devem existir – gerar a si mesma. Espontaneamente.

Você tem de entender isso. Ou tudo bem, não precisa entender. Talvez esse conhecimento não influencie de nada a sua vida, como tantas outras coisas. Mas quem lida com a informação, bom, essas pessoas TEM de entender isso. Tem de aprender a respeitar esse novo fenômeno do universo, saber como ele age, o que ele fez, o que vai fazer. Tem de dar as mãos, dar um tapinha nas costas, ser amigo dele.

A única coisa que você não pode fazer, é manipulá-lo, pois isso, na era Dela, é impossível. E é isso que algumas pessoas tem de entender.

Essas pessoas, como muitas outras, não vão aprender isso por livre e espontânea vontade. Alguém precisa ensinar isso a elas.

E em toda a nossa história no mundo, que começa lá atrás em período indeterminado e vai até hoje – o aqui e o agora – nenhum outro momento foi mais propício para que isso acontecesse do que durante a Copa do Mundo. E a única pessoa que poderia ter feito isso eram na verdade duas: Dunga e Felipe Melo. Sério.

Isso aconteceria quando o Felipe Melo, aos cento e dezenove minutos e cinqüenta e três segundos da prorrogação, chutasse a bola numa distância de 38 metros do gol, acertasse o ângulo direito, e, até a quarta parte de seis que compreendem um segundo, o mundo, por inteiro, seria dominado pelo mais absoluto e completo silêncio.

Do final da quarta parte desse segundo, até o final da sexta, a informação seria gerada espontaneamente, e o mundo, apesar de tomado pelo mais ensurdecedor dos barulhos que na verdades é a junção tantos outros mais as vuvuzelas, ficaria, também, em silêncio. E ai algumas pessoas que não entendiam que a informação nasce, desenvolve, morre e nasce de novo... bem, eles entenderiam que ela faz tudo isso. Sem precisar deles.

Acontece que, infelizmente, ou felizmente, aquela freqüência determinada que o Universo atinge de quatro em quatro anos humanos, entre o sexto e o sétimo mês do calendário romano, e que propicia um horizonte de eventos absolutamente imprevisível, quis que essa possibilidade de realidade alternativa gerada de pensamentos ou ações não fosse a que regeria o nosso presente universo, a nossa presente realidade.

A nossa realidade e o nosso universo, no momento, são absolutamente diferentes dessa previsão hipotética que muito poderia tornar-se história. Eu não sei dizer se isso é bom ou ruim. Numa análise inicial, considerando só o até aqui e agora, ela é bem ruim. Pelo menos para mim.

Pois, diferentemente daquilo que eu mais desejei, as pessoas que deviam aprender de nada aprenderam sobre aquilo que deveriam. Elas na verdade acham que acertaram, e que alguém errou.

O que me tranqüiliza agora é o meu apego na teoria quântica de que tantas outras realidades e universos se formaram a partir desse momento, e que uma outra, hipotética, que imaginei e quem sabe possa o universo e a realidade regentes terem tomados como a correta, possa se concretizar daqui a quatro anos.

E essa hipotética realidade, sem mais delongas ou linhas desnecessárias, é simples e puramente isso:

Felipe Melo capitão do Hexa.


E ai todo mundo que procrastinou mais quatro anos de aprendizado vai realmente entender. Vai olhar para si mesmo, dizer “é...” e depois um outro “É.” final e absoluto, a mão apoiada num rosto com cara de cu. E vai olhar lá pra trás, lá para quatro anos antes, e perceber que um erro anterior tornou-se o mais absoluto acerto. E que isso torna ele, na verdade, um acerto desde o início. E que poderiam ter considerado isso, caso a perspectiva fosse considerada.


E então Dunga e Felipe Melo finalmente vão ensinar a quem ainda faltava aprender, que dentre coisas e mais coisas que regem nossas vidas, a ironia vez ou outra reina absoluta, as vezes dia aqui dia ali, as vezes de quatro em quatro anos.


E, acima de tudo, que aqui é pé na porta e soco na cara.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Sabedoria popular

Sabe a diferença entre um designer, um jornalista e um jurista leia-se adevogado?

Nenhuma.