segunda-feira, 24 de maio de 2010

De volta pra casa,

Passei agora pela Avenida Beira-Mar norte, aquela que todos nós sabemos qual é e somente não saberá aquele meu internauta (adoro esta palavra) visitante ou, às vezes, o meu grande público leitor, ambos fictícios. Um FODA-SE para vocês.

Pois bem, em uma mesma cena, formada por 3 quadros de situações, passei por 3 emoções distintas. A cena inteira durou 5 minutos. O primeiro quadro, 4:55 minutos. O segundo quadro, 3 segundos. O terceiro, 2.

Quadro 1: A fila do caralho, nesta mesma avenida, nada usual para o horário, sentido bairro-centro. Os carros pareciam andar devagar devido a um acidente. Subitamente, percebi que eram carros que pretendiam fazer retorno para a pista de sentido contrário, centro-bairro, e que desistiram da idéia. Eu entenderia melhor a situação se não estivesse ouvindo Losing my Religion, do REM, no máximo. Já que não ouvi, VI. E entra o Quadro 2. Antes que eu me esqueça, o sentimento lógico, aquele expressado pela máxima: “VÃO TOMAR NO CU”.

Quadro 2: Muitos são os escritores que conseguem eternizar um acontecimento retratado em uma foto, observado por 3 segundos, através de páginas e mais páginas. Invejo-os. Por isso, recorro ao Google Imagens e segue abaixo algo similar, que transmite a mesma emoção ao expectador. Ainda por cima retirado de um site chamado REVOLUCAO.ORG:




E foi uma emoção diferente. Era um sentimento libertário que, no fundo, apoiava esses jovens que jamais se calam diante da opressão, o futuro do Brasil, e, claro, os maconheiros. Remetia aos anos 70. Uma nostalgia fictícia, pois nos anos 70 minha mãe nem mesmo sonhava em ter filhos. E meu pai fumava maconha.

Quadro 3: Eu dei 2 segundos porque gosto de seguir o colorido com os olhos. Na verdade eu precisei de apenas 0,5 segundos para que a minha alma reformulasse seu sentimento. Em vez de ilustrar o quadro com uma foto, ou descrevê-lo com algumas linhas como no primeiro, preferi usar apenas uma frase:

“É A PULIÇAAAA CORRE NEGAIDS!!!”

Uma pena que neste momento eu já estava a > 80km por hora, no sentido contrário das viaturas e sirenes que se aproximavam. Não pude ver, mas imaginar a cara de “FFFFUUUUU---“ do povo já foi suficiente para motivar a minha terceira emoção: de “FFFUUU--”, mesmo.

Marx & Engels Against The World


Esses dias passei na feira do livro e vi o manifesto comunista a venda por 5 reais. É, cincão. Tava em promoção. Tem umas editoras que vão pra feira do livro e fazem essas paradas, vendem livros por 1, 2, 5, 9, 15 reais. E livros bons. Alguns.

O que me chamou a atenção foi que duas prateleiras ao lado era vendido o livro do Alexandre Frota, escrito por ninguém mais se não ele mesmo. Era um real o preço. Pensei em comprar, mas peguei mais um e cinqüenta e comprei uma coca.

Agora, refletindo, me veio a cabeça a seguinte reflexão: uma das maiores obras do grandioso social comunismo escrito por Marx e Engels, que pregavam um monte de coisas, dentre elas, creio eu, acesso livre a cultura ou ao menos apadrinhado pelo Estado absoluto, era vendido em uma feira. Feiras são locais para exposição. Ou venda. Ou exposição e venda. Feirar um produto e depois vendê-lo são epítomes do Capitalismo. O oposto do que prega o manifesto comunista. A parábola disso tudo é a seguinte: porra nenhuma. Só que eles perderam e nós ganhamos. Sim, nós. Porque eu e você somos capitalistas, e prova disso é que você pagou de alguma maneira para essa alocação de bytes de internet para estar aqui e ler isso, logo, você contribuiu com a estrutura capitalista. É nóis.

Eu senti ter presenciado a maior derrota do socialismo e comunismo que eu jamais poderia ter desejado – e eu nunca desejei – pois, toda a base do seu conhecimento, um pouco daquilo que o conceituou e segregou-o pelo mundo, estava ao alcance de minha mão e num preço apenas cinco vezes maior do que o diário de Alexandre Frota na Casa dos Artistas, ou duas vezes maior que uma Coca-Cola, um dos ápices do capitalismo, e, pra terminar, três vezes menor que um sanduíche do McDonalds, o pináculo do capitalismo.

Vencer suando o Frota e a Coca, mas tomar um pau do McDonalds. Admita. Marx jamais seria capaz de imaginar esse cenário.