sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Vanessa x15

1- eu sou a pessoa mais mal humorada que conheço
2- algumas das minhas bandas favoritas descobri enquanto stalkeava a vida e as preferências do meu eterno amor platônico
3- meu pé direito é consideravelmente maior que o esquedo
4- a melhor marca de cappucinno do mundo é melita, anotem
5- carrego todo o lixo genético da minha familia (miopia foda, cabelo crespo e gordura localizada), enquanto minha irmã é magra e linda
6- adoraria ser anoréxica
7- quando encontrei o professor da academia no shopping me escondi atrás de uma coluna
8- sou uma compradora compulsiva
9- tenho o menor IA dentre meus amigos
10- costumo mentir meu nome e dar o telefone errado pros Kens aleatórios que eu conheço por ai
11- tenho medo do dia em que o salão de beleza onde eu faço meu alisamento irá fechar
12- prefiro ser puta a ser geriatra
13- minha bebida favorita é big apple
14- eu sempre acordo abraçada com o Joanito quando vou dormir bebada
15- eu ronco

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Abreu x13

1) Não necessariamente seguindo a ordem de Natasha para as perguntas, mas meus testes desse mesmo tipo de conhecimento interior inútil já deram mais de uma vez como cérebro feminino. Quando contei isso para uma amiga ela disse “deve ser por isso que você consegue ser sensível. As vezes”

2) No dia seguinte eu mostrei para ela que era plenamente executável trechos da Nona Sinfonia de Beethoven com arrotos.

3) Recentemente perdi 50 horas de minha vida me aventurando por uma América pós-apocalíptica de 2283, mais especificamente “New” Vegas e culturalmente estagnada em uma mentalidade cinquentista. Fontes seguras dizem que se eu tivesse usado esse tempo para estudar já teria passado de ano. Mas ai eu não teria aprendido procedimentos básicos de sobrevivência para um futuro inverno nuclear.

4) Ganhei meu primeiro computador na era CêÉsse. Antes disso por muitos anos tive de usar o PC do meu irmão, em que eu tinha um limite de meia hora por dia após as seis da tarde. Se eu conseguisse usar antes, beleza. A primeira coisa que aprendi a fazer num computador foi copiar o atalho do DOS para joguinhos toscos de um papel. Todos os vírus e bugs eram culpa minha. Hoje meu irmão me pede ajuda para DESEMBALAR o maldito notebook que ele não sabe ligar e fazer o procedimento FOR DUMMIES de primeira inicialização do Windows 7.

5) Já fiquei acordado por 46 horas de boa. Mas durante os períodos que eu deveria ter dormido aprendi que nossa concepção temporal regente no universo é absolutamente dependente do quanto o próprio universo está propenso a te sacanear grandemente ou não. Leia-se extensão absurdamente incomum de dez horas reais dentro de um ônibus para aparentes vinte e duas.

6) Eu realmente passei mais tempo no computador do que qualquer outra coisa na minha vida nos últimos 10 anos. Isso não necessariamente quer dizer que esse tempo foi mal gasto.

7) Kinder Ovo é uma das minhas referências de “bons tempos aqueles”.

8) Rambo, Demolidor, Conan, Predador e Comando Para Matar também. Bons tempos onde você aprendia a agir como homem com Schwarzenegger e Stallone, e não com o filho do Fábio Junior.

9) Também não gosto de pisar nos riscos e divisórias no chão. Quando entro em um lugar não me importa com que pé piso primeiro, mas prezo por não fazer isso em uma divisória, linha real ou linha imaginária.

10) Uma vez tentei fazer isso e deu errado, ai como já estava dentro do local e pensei que seria muita bizarrice dar meia volta só para entrar de novo corretamente, saquei o celular, disse OPA e fingi que atendi. Ai fui falando com o nada até o lado de fora do lugar. Dez segundos depois entrei, dessa vez corretamente sem pisar na divisória.

11) Você nunca vai encontrar Whooper Quádruplo no menu do Burguer King, mas isso não quer dizer que você não possa pedi-lo e devidamente apreciá-lo. Com Onion Rings. Sim, você pensou certo.

12) Já meti um blefe épico na coordenadora do colégio naquele arco da minha vida “Fogo nos Lixeiros”. Disse que só tinha tacado fogo uma vez copiando o pessoal do ginásio que fazia isso (que não existiam, todos os lixeiros incendiados foram obras minhas e de dois amigos) e ela, a subcoordenadora e a psicóloga acreditaram.

13) O número de vezes que salvei o universo em Mass Effect, dividido por 10, ainda é um número maior do que o número de namoradas que já tive.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Natasha x8

1) nos testes de internet sobre cérebro masculino/feminino, meu resultado é sempre: homem.

2) em lugares random, gosto de imaginar uma situação de acidente/tragédia e sempre me pergunto qual seria a melhor maneira de escapar com vida, do tipo: se o elevador despencar do último andar, devo me abaixar/pular? se eu estiver dentro de um avião em queda livre, qual a hora certa de pular no oceano? a conclusão é sempre a mesma: deveria ter assistido às aulas de física.

3) assuntos "corta a vibe": direito, "e os namorados? rs", seriados americanos(não vi lost, não vi one tree hill, não vi the OC e, caralho, não vi friends tanto assim a ponto de lembrar de episódios específicos). ah, e direito.

4) ganhei meu primeiro computador em 1995. com windows 95, repartido em uns 10 disquetes. com a chegada da internet, virou um antro de vírus de dar inveja aos computadores dos laboratórios da ufsc. aliás, não fazem mais vírus legais como antigamente: ver o drive de cd abrir e fechar sozinho e impressora ligar e desligar sozinha era muito legal.

5) já dormi por 21 ou 23 horas ininterruptas uma vez. repito feitos parecidos pelo menos uma vez por mês, mas nesse caso em especial as pessoas de casa devem ter verificado meus sinais vitais só pra garantir.

6) os itens 4 e 5 nos fazem concluir, portanto, que nos últimos 15 anos, se for descontar o tempo em que passei dormindo ou olhando para uma tela de computador, devo ter vivido por uns 3 meses.

7) minha referência de efeito de inflação do Real é o kinder ovo

8) não gosto de pisar em riscos no chão, tipo divisões do piso. coloco no modo very hard quando começo a criar ângulos e novos riscos invisíveis para desviar.

BONUS: meu notebook deixa de receber sinal wi-fi quando a porta do meu armário está aberta.

Um dia em minha vida parte 2394734


- Cara, tirasse quanto no trabalho de Administrativo?

- O do livro?

- O do livro.

- Deixa eu olhar aqui.

Ai eu olho, do login duas vezes no sistema acadêmico porque o chrome ta bugado e vejo a nota.

- Nove.

- Porra, que foda todo mundo tirou 6 ou 7 acho que a tua é a maior nota da sala.

Muito obrigado. Não li o livro. Isso é o maior elogio que poderia receber de qualquer coisa relativa a essa matéria.

- Legal, nem li o livro.

E faço questão de dizer isso. Porque eu posso me fuder em todo o resto, mas nisso eu tenho prazer de anunciar aos quatro cantos: não li, você leu; enrolei, você leu; não sei do que diabos aquilo falava, você discutiu na sala de aula com colegas e o professor sobre o assunto.

- Random shit (x8) como você faz isso? (x3)

Não importa, eu reprovei. Por 3 faltas. Me fodi de novo, a não ser que eu consiga meter um blefe épico no email para um professor. Mas, por enquanto, é isso. Chutei prova, chutei prova, entreguei o trabalho antes do prazo e tirei a melhor nota da sala, mas rodei porque algum idiota acha que é pré-requisito para o estudo, aprendizado, e crescimento intelectual a presença na sala de aula, mesmo que você mais aprenda lendo livros do que sentando para ouvir um imbecil em uma sala de aula.

É por essas e por outras que eu acho que precisamos de um Batman na nossa sociedade.




terça-feira, 21 de setembro de 2010

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Tempo livre

Assim, se você tivesse o tempo livre, e vamos considerar ai o tempo livre como QUALQUER período de tempo que você não realize as atividades básicas da vida: dormir, estudar (dirigir-se a faculdade, e não pegar nos livros), comer e ir ao banheiro, então considerando essa hipótese qual desses livros você escolheria para ler no seu tempo livre?

FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO
  • SINOPSE: A importância capital desta obra, que é uma verdadeira introdução e uma teoria geral do Direito Público, imprescindível para a compreensão deste ramo da Ciência Jurídica. Escrito de forma clara e didática, como pontos de uma cadeira já implantada na Faculdade de Direito da PUC-São Paulo, é um livro que se lê com proveito e prazer, tanto pelo seu conteúdo como pela agradável forma de exposição.

ou

    NEUROMANCER
    Considerado um dos 100 maiores romances da língua inglesa no último século, N- PONTO. Precisa mais?

    Agora entendam meu dilema.

    E eu sei que já li Neuromancer, e que não li Fundamentos do whatever mas afinal esse é um posto sobre o que você faz no seu tempo livre e o que fazendo com ele vai mudar significantemente a sua vida.

    É

    Bom, como isso precisava ser atualizado cá estou eu escrevendo.

    Ontem fui dormir as 21h e acordei as 6h. As 7h sai pra dar uma caminhada e me vieram duas novas ideias para histórias. Não perguntem qual é, pq eu conseguiria apenas sinopseá-las em duas linhas e qualquer sinopse de duas linhas fica um lixo, tipo: "Garoto descobre ser o Escolhido e tem de combater o poderoso império do mal que domina a galáxia".

    Isso, em duas linhas, é a sinopse de uma das maiores histórias da nossa cultura contemporânea. Eu não sou Hemingway e não conseguiria contar uma história com tão poucas palavras, apesar de já ter tentado com o João sem-braços. Na real, poucas pessoas são como o Hemingway e conseguem contar uma história com sete palavras, mas isso não quer dizer que são menos fodas que ele.

    Para finalizar, aqui vão alguns fatos, curiosamente sete, como as palavras da história de Hemingway:

    1. Você está lendo os fatos.
    3. Você não percebeu que eu pulei o nº 2.
    4. Você checou isso agora mesmo, e está sorrindo.
    5. Você ainda está lendo os fatos.
    6. Você sabe que tudo aqui escrito é verdade.
    8. Você não percebeu que eu pulei o nº 7.
    9. Você achou isso tosco, o que é bem verdade.

    domingo, 22 de agosto de 2010

    Divagações sobre a ditadura, patriotismo e economia mundial.

    Que saudades da ditadura!

    Há 25 anos atrás, seria impensável uma frase dessas por parte da população. Eu não era nascida na época da ditadura, não me lembro de nada muito relevante das aulas de história, também, além de saber que HOUVE uma ditadura, advinda de um golpe militar, os presidentes foram tais, AI-5, de repente galere pediu Diretas Já e o Tancredo assumiu (e morreu). Isso era informação suficiente pra ficar com uma média 8,0 em história no 2º ano. Pra ter média 10, era bom lembrar das datas. Nunca nenhum professor se deu ao trabalho de explicar o PORQUE disso tudo. Só dizia que a ditadura era má e Diretas Já era um movimento popular heróico, o Brasil venceu, livramos eles dos vilões, e agora apenas aquele político eleito pelo povo, soberano, é que seria o legítimo chefes do executivo.

    Calma. Eu não sou a favor de ditadura alguma. Ditadura é uma merda em qualquer lugar. Até quando a sua mãe é ditadora você já fica nervoso(a), imagina um chefe de Estado controlando a sua vida. O ponto é outro: é onde CHEGAMOS. Os militares ao menos eram patriotas e, ao final da sua vida, morreram muitas vezes até pobres. Política hoje: até vereador tem uma bela aposentadoria VITALÍCIA após os seus 4 anos no legislativo, propondo um ou duas leis municipais, se muito. Isso quando comparecem. Claro, quem definiu os salários e dias de trabalho foram eles mesmos. Olha, estou falando de um simples vereador de uma cidadezinha qualquer, em um estado qualquer. Imagine outros cargos.

    Os militares assumiram o poder sob o pretexto da ameaça do COMUNISMO(oi, Fidel), em um ato de defesa da nação. Perguntei agora para a minha mãe se ela lembra de alguma coisa dessa época, se ela se fudeu mais ou menos com isso. Disse que era normal, não via diferença no cotidiano. Lembrou, no máximo, que um tio foi preso quando escreveu um artigo “suspeito” no jornal local. E que alguns políticos sumiram... É, a ditadura é uma merda.

    Mas os militares eram patriotas. General Castelo Branco deve se revirar no túmulo enquanto os malditos neoliberalistas criminosos americanos e japoneses roubam e criam patentes de substancias da nossa própria Amazônia, ou quando estatizam a Petrobras sediada em outro país sem qualquer indenização a nós. Dia desses, ouvi falar que o Brasil não pode exportar açaí porque sei lá que país é detentor dos direitos. Headshot nesses filhos da mãe.

    Antes que me perguntem: os termos são coincidentes, eu não odeio o liberalismo, liberdade econômica, no caso, tampouco sou patriota. Enéas era. Ríamos quando o eterno candidato a presidente pelo PRONA, o único partido com legenda de sonoridade legal, defendia a bomba atômica brasileira. Hoje entendo a mensagem que o falecido deputado mais votado da história desejava passar: “Respeitem o Brasil. Eu tenho uma bomba e não pretendo explodi-la no seu país. Mas se vierem me roubar, mudo de idéia, filho da puta”.

    Afinal, o que uma coisa tem a ver com a outra? Liberalismo = direita, mas liberdade não é o contrário de ditadura? –Q? Não. Liberalismo = estado mínimo, mas o oposto de comunismo, a esquerda econômica, portanto, "direita". Ditadura: direita social, conservadora, economia whatever(se esquerdista, estado máximo = Cuba, e em menor grau, o próprio regime militar brasileiro). Entenda Estado Mínimo como o país sendo responsável apenas pelo provimento de suas funções mais básicas, sem grandes intromissões na economia e nos costumes. E tem a Anarquia, conceito popularmente ainda mais anarquizado que o seu próprio significado original. Mas esse fica pro próximo. A World War III imaginária, também.


    segunda-feira, 16 de agosto de 2010

    Tiro de advertência

    Você tem três minutos para decidir se Mercenários (Expendables – 2010) é um bom filme ou não. No terceiro minuto de filme, Gunner (Dolph Lundgreen – Rocky 4) avisa que vai dar um tiro de advertência.

    O Tiro de Advertência de Lundgreen é na verdade um artifício de roteiro para Os Mercenários. Ele é um tipo de artifício muito usado no cinema, embora poucas vezes utilizado na maneira como em Mercenários. O Tiro de Advertência no filme dirigido por Stallone na verdade é um momento crucial para testar o elo que o espectador tem e terá com o filme. Se você não gosta do Tiro, se por algum motivo pessoal ou estético aquilo não lhe agrada, saia do cinema, desligue o DVD (se estivermos 3 meses no futuro), ou clique no X e delete o filme do HD, pois, se você não entende a magia do Tiro de Advertência, Mercenários não é um filme para você.

    Stallone é um cara gente boa, ao contrário do que a putinha paga da Globo anda falando por aí, ao contrário que o sua amiga com PC do Milhão ou Pecê Positivo vem xingando muito no Twitter. E Stallone é um cara gente boa porque ele aos 3 minutos de filme te dá a chance de sair do cinema, mudar de sessão, pedir o dinheiro de volta, fazer biquinho ou então dar uma gargalhada altíssima e fazer você pensar consigo mesmo “caralho, era bem isso que eu queria ver”. E então você fica até o final da sessão.

    Eu não vou dizer que é o melhor filme do ano, porque não é. Talvez, numa análise extremamente passional ele é. Eu não vou dizer que é o melhor filme da década, porque também não é. Muito menos ele é o melhor filme do Stallone. Ou do Arnold. Ou do Li. Ou do Statham. Ou Crews, Willis, Rourke, Coulture, Austin, Roberts e por aí vai.

    Não é melhor que Rambo, Rocky ou Demolidor. Não é melhor que Exterminador do Futuro 2, True Lies, Predador ou Comando Para Matar. Não é melhor que Duro de Matar.

    Mas isso não impede do filme ser divertido. E isso ele é. Isso mermão, não tem como negar. Ele é um filme divertido.

    Esses dias eu defini A Origem – outro ótimo filme de 2010 – como aquele filme que você senta na cadeira do cinema, põe um punhado de pipoca na mão, toma um gole de coca e diz: “manda ver”. E o filme faz isso com você. Ele manda ver. Mostra uma orgia audiovisual na sua frente e tudo que você faz é sorrir para si mesmo e pensar que fazia tempo, muito tempo que o cinema não lhe agraciava como coisa parecida. Só lembro de Matrix e Clube da Luta. Onze anos.

    Mercenários é parecido, ainda que num menor nível. Ao invés de Origem, que manda ver na sua frente e você sente que sai do cinema como se tivesse levado um tapa na cara – aqueles tapas não-ruins, que são bons por algum motivo ou por algum mesmo motivo são necessários–. Stallone consegue fazer o mesmo, de maneira bem menos genial, ou quem sou eu para definir o que é genial ou não? Aquilo, numa ótica e numa perspectiva bem singela e única, é também genial.

    Continuando. Stallone faz o mesmo. Senta na cadeira, punhado de pipoca, coca-cola (se você for TRUE leva cerveja pro cinema), diz “manda ver” e daí pra frente é só TAPA NA CARA.

    Só que o tapa na cara de Stallone não é o mesmo de A Origem. O Tapa Na Cara de Stallone não é um tapa, e nem é um, são vários, e são SOCOS, e não são direcionados ao Espectador, porque esse não vai no cinema ou aluga um DVD daqueles mestres para levar tapa na cara. Vai ou aluga porque quer ver tapa na cara. Soco na cara. Chute na cara. Explosão na cara.

    E isso, Stallone faz.

    Técnica, roteiro, arte. Pra quê?

    Pra quê isso? Porque não uma vez nesse ano sentar na poltrona do cinema e ver algo que mostra nossos mais puros instintos de animalidade plus explosões?

    Tiros, explosões, frases engraçadas, tiros, explosões, frases engraçadas, uma tentativa de rima péssima de Statham, mas divertidíssima na ótica de alguém que já saiu pra beber com os amigos e tentou se aventurar da mesma maneira; explosões, tiros, explosões, frases feitas, explosões. Durante uma hora e meia.

    “A única coisa mais rápida..” “É a luz, eu sei”
    “Você é um cara legal, vou te apresentar a minha namoradinha. Essa é Omaya. Omaya KABOOM”
    “250 tiros por minuto. 250. Tiros. Por minuto.”
    “Vou dar um tiro de advertência”
    “TIRO DE ADVERTÊNCIA!!!!11one!”
    “O que o Gunner está fazendo?” “Enforcando um pirata” “Não, ele não pode estar fazendo isso. Gunner, o que você está fazendo?” “Enforcando um pirata!”

    Quer mais? FODA-SE.

    segunda-feira, 26 de julho de 2010

    Dawkins, Campbell e Abreu


    Duas das obras literárias mais fantásticas que eu já li chamam-se, não em ordem de importância: O Gene Egoísta, de Richard Dawkins; e O Herói das Mil Faces, de Joseph Campbell. Junto deles, só consigo pensar agora em Cultura de Convergência e os trabalhos de ficção Neuromancer e O Arco Íris da Gravidade.

    Esses são nesse exato momento, possivelmente os livros mais importantes que já li na vida, e que vieram a moldar o meu pensamento sobre o que foi o mundo e o que é o mundo, sobre o que foi a sociedade e sobre o que é a sociedade.

    Não que isso importe alguma coisa.

    Mas vou me concentrar nos dois primeiros e descartar os três últimos, novamente, não por causa de preferência ou por qualquer hierarquia de importância ou coisa parecida, mas porque simplesmente eles não se encaixariam na proposta desse texto. Talvez Cultura de Convergência se encaixasse um pouco, mas eu teria que andar muito até chegar nela.

    Conheci O Gene Egoísta por intermédio de uma das mais absurdas situações, que jamais me acharia inclinado a procurar um livro. Foi uma entrevista, não sei para quem nem quando, que Hideo Kojima deu sobre a série Metal Gear Solid. Para quem não sabe, e não lhes culpo por isso, Kojima é uma das mentes mais brilhantes hoje no entretenimento interativo.

    Ele, alias, é Mestre.

    Kojima é como o Tarantino dos videogames, não pela escolha semelhante de temas, pois os dois se diferem consideravelmente nisso, mas no fato que é uma das mentes mais capazes e geniais ao trabalhar com referências. Quentin e Hideo são dois produtos de cultura pop e influenciados diretamente pelo lixo cultural de suas épocas, que como em todas as coisas, faz parte de um desenvolvimento cíclico de cultura: o que inicia o ciclo como lixo, depravado, dispensável e desprezível, torna-se ícone e ídolo no final dele.

    Os dois conseguiram pegar o que era desprezado por crítica e mainstream em suas infâncias e adolescências, que durante juventude e inicio de vida adulta tornaram-se lixo acultural, e que com o reconhecimento de seus respectivos trabalhos tornou a conquistar seus lugares de primeira classe na produção cultural contemporânea.

    Não cabe aqui como eles fizeram isso ou o que tornaram a trazer ao seio da cultura pop atual. Isso renderia outros vários posts.

    Voltando ao Gene Egoísta, Kojima disse que o livro foi uma de suas maiores inspirações para a realização da série Metal Gear Solid, principalmente o homônimo primeiro jogo, e o segundo, Sons of Liberty. Os dois jogos foram concebidos com um tema principal cada um, sendo o tema do primeiro GENE, e o do segundo MEME. As sequências, Snake Eater e Guns of the Patriots ainda trabalhariam com dois novos conceitos: SCENE e SENSE.

    Não será analisado aqui, por maior que seja a minha vontade, a influência e o funcionamento de cada tema em seu respectivo jogo, assim como não será analisado aqui o mesmo conteúdo em qualquer um dos livros já citados.

    Será feito na verdade, uma comparação entre dois autores – como a feita acima – Dawkins e Campbell.

    Não será comparado semelhança ou diferença entre os autores e suas obras. Acho.

    Será comparado a influência que cada obra teve na cultura popular ocidental – e graças a Kojima, oriental – contemporânea.

    Eu vou tentar me espelhar em Dawkins o máximo possível e não deixar minhas opiniões pessoais transpassarem para essas linhas escritas. Creio eu, terei sucesso.

    Sobre o Herói das Mil Faces, livro o qual faltariam a mim palavras para enaltecer sua importância, posso dizer resumindo em poucas linhas que é um dos documentos mais importantes para a nossa história contemporânea.

    É, assim mesmo, redundante. Um dos documentos mais importantes da nossa história contemporânea, se você considerar a área que explora a manutenção e criação de cultura e ficção.

    O Herói das Mil Faces é um livro que fala sobre mitos, e numa perspectiva psicológica, analisa a SEMELHANÇA e o impacto que uma diversidade absurda de mitos e histórias tiveram na formação das civilizações ocidentais e orientais.


    Joseph Campbell, um dos maiores gênios do século XX, pegou uma série de mitos de todas as partes do mundo e mostrou no que eles eram iguais. Campbell queria, mais do que tudo, mostrar que não devemos nos odiar por nossas diferenças, mas procurar o entendimento, a compreensão, união e o amor naquilo que nos torna semelhantes.

    Se Campbell conseguiu ou não, só anos o bastante no futuro para que possamos olhar para trás e analisar se deu certo ou não é que vão nos responder. Já se passaram 61.

    Em Herói, Campbell utiliza-se da estrutura ficcional e mitológica do Monomito. O monomito, também chamado de Jornada do Herói foi a estrutura utilizada para equalizar todas as histórias, contos, mitos e fábulas que Campbell analisou.

    Através dos conceitos e partes que compõe a Jornada do Herói, é possível notar claramente essa série de semelhanças entre fábulas e mitos da humanidade, e principalmente, como esses influenciam – e influenciaram – as nossas vidas e a civilização.

    Talvez Campbell tenha almejado outros fins para os impactos que a Herói das Mil Faces e sua Jornada teria naqueles que notavam sua existência, mas uma coisa é certa: o maior impacto que o Monomito teve na nossa sociedade, foi exatamente na parte que engloba a criação e estruturação da nossa cultura popular.

    Mas aquela cultura popular, comum a todos, comum ao mundo.

    A influência desse documento acadêmico é tanta, que a lista de obras ficcionais e de entretenimento que ele influenciou é gigantesca.

    Exemplo?

    Star Wars, um dos maiores fenômenos culturais da nossa recente história. E eu não estou exagerando. Star Wars é praticamente O exemplo vivo e que foi acompanhado por todos da criação de uma mitologia tão rica, fantástica e grande quanto um universo.

    O próprio criador da galáxia tão, tão distante disse que sem O Herói de Mil Faces a história de Star Wars jamais existira.

    Talvez o mais incrível da Jornada do Herói e do Monomito não é nem as histórias que se basearam nela para serem criados, e digo isso daquelas histórias em que seus autores pegaram o documento físico, leram, interpretaram e criaram, mas das histórias e mitos que foram criadas baseadas nele e que seus criadores não tinham a menor idéia de estarem seguindo esse roteiro específico.

    E são eles que provam que essa unidade de informação está tão enraizada na nossa cultura.

    Joseph Campbell, ao contrário de muitos, percebeu que sua obra talvez não tenha tido aquele impacto, aquele significado inicial que ele almejava. Mas ele viu por outro lado que essa mesma obra tinha alcançado um significado tão importante quanto.

    Campbell percebeu que sua obra acabou por fazendo parte de um outro ciclo, aquele em que residem as idéias e as criações. E viu que assim ele também poderia atingir ao menos parte de seus objetivos primários, pois o ciclo de idéias e criações funciona junto ao ciclo da cultura, que incide naquele ciclo da sociedade.

    Situação semelhante aconteceu com Richard Dawkins. Ele tinha um objetivo inicial e oficial com seu Gene Egoísta: provar a importância fundamental do gene na evolução da nossa e de todas as espécies.

    Durante se não me engano dez capítulos, Dawkins conta de uma maneira incrivelmente interessante para um documento acadêmico, a importância desta unidade fundamental de vida – o Gene – dentro da história do mundo.

    No início de um dos últimos capítulos, Dawkins introduz um novo conceito até então pouco explorado e não oficialmente nomeado pela ciência, o Meme. É passível de interpretação, que todos os dez ou seja lá quantos anteriores capítulos do livro que falavam do Gene, serviram só para dar embasamento para o conceito recém introduzido. Eu acho que até o próprio autor fala isso.

    Explica-se Meme como unidade não biológica, mas extremamente semelhante e de igual funcionamento ao gene. O meme, na verdade é uma unidade de informação, unidade essa que faz parte de algo maior, a cultura, assim como gene faz parte de organismo.

    O meme é na verdade uma das unidades com maior poder, maior influência, maior abrangência com que o mundo já se deparou. O meme tem a capacidade de surgir em qualquer lugar, dentro de um organismo humano, no cérebro, ou dentro da própria cultura, de uma maneira que pode ser completamente espontânea e imprevisível.

    O meme pode ser mais perpétuo e durar mais que o gene, e também pode existir desde um período de tempo indeterminado até eternamente. Essa unidade convive dentro do cérebro humano, junto a informação produzida na sociedade, junto a cultura produzida e mantida na sociedade, junto às disposições e preceitos que compõe uma civilização. O meme pode caminhar livremente em cada um desses organismos, podendo obviamente, se propagar em um ou em cada um deles.

    O que Dawkins quis mostrar é que algumas coisas, que julga ele serem alguns dos maiores problemas do mundo, são também meme. Esse foi o objetivo não oficial de Dawkins, e que não por isso deixava de ser o mais importante.

    O maior problema de Dawkins, foi que as pessoas não viram aquilo da mesma maneira como viram Campbell e seu monomito. O impacto que o Monomito teve na sociedade de cultura pop foi tão absurdo que amenizou qualquer sentimento de derrota ou falha que seu autor pudesse sentir. A forma como o Monomito seria capaz de alcançar ao menos parte dos objetivos iniciais de Campbell também fizeram ele de alguma forma valer a pena.

    O Meme, assim como o Gene, foi apenas visto como unidade primordial de algo e coisa mais genial já compartilhada dentro do seu próprio mundo, dentro do seu próprio universo. O Meme até que se difere um pouco, já que ele interessa a uma outra camada de produção cultural que é também extremamente abrangente, diferente do Gene que só importa para aqueles que acham que isso importa.

    Aconteceu, que no fim, Campbell viu que sua obra ainda que interpretada de maneira diferente serviria pra alguma coisa de seus objetivos iniciais, e que sim, ela contribuía de uma maneira até inimaginável para ele na nossa civilização. Ele sabia da importância que os mitos tiveram na construção da nossa civilização, e viu, com o seu trabalho, a importância que eles ainda teriam por muito e muito tempo.

    Dawkins, por outro lado, não viu impacto semelhante ser causado pela sua obra. Foi, na verdade, tão egoísta quanto seu gene. Incapaz de aceitar que falhou em seu objetivo não oficial, incapaz de reconhecer que nada lhe valia o reconhecimento de seu objetivo oficial, incapaz de ver a maravilha que sua concepção de unidade fundamental da informação traria para o mundo quando não atingindo aqueles que tinha de atingir, quando não atingindo seus objetivos verdadeiros.

    É por isso que esse cara me envergonha tanto hora ou outra, aqui e ali.


    domingo, 25 de julho de 2010

    Divagações sobre tudo que eu lembrar, até o final de uma página do Word.

    Ia escrever sobre psicopatia. Só que, enquanto pensava em como começar, passou na TV uma propaganda do OMO, com crianças se tacando na lama, metendo a mão em vasilhas cheias de calda de chocolate, entre todas as coisas que significam desespero para uma mãe. Aí lembrei que não quero ser mãe. E lembrei que não quero falar sobre mim mesma, ao menos nada que não seja interessante. Pensei em religiosidade, orgulho ateísta, quem acredita em deus é acomodado, burro, manipulável, não leu Maquiavel, mimimi. É engraçado porque essas pessoas são tão idiotas quanto aquelas a quem se referem nas suas ofensas, e na maioria das vezes, piores, pois muitos religiosos sequer tiveram a oportunidade de conhecimento, alguma abertura para se questionarem. Ressalto que me refiro apenas aos idiotas, aqueles que querem que ateus, judeus, budistas, vão tudo para o inferno. E isso me lembrou fãs adolescentes de Felipe Neto/PC Siqueira. Particularmente, gosto mais do segundo, é esse cara aqui:

    http://www.youtube.com/watch?v=YCMK2nelTUo

    Mas quem ilustra melhor, mesmo, é esse aqui:

    http://www.youtube.com/watch?v=2Lp7XO6oWCM

    Ou seja, é a alternativa para as adolescentes do “contra”, que diante de um discurso bem feito(pelos outros), resolve dizer que quem gosta de modinha adolescente é idiota, mas quer casar com o Felipe Neto. É a mesma coisa com os ateus raivosos. Só que eu aceito o que vem de adolescentes, pois todos nós fomos idiotas na adolescência.
    Este assunto está diretamente relacionado a pré-conceitos. Estou vendo blogs de moda. Poderia estar lendo um livro. A moda é algo complexo demais, eu mesma demorei a entender o sentido dela. Conheço muitas opiniões: “é ridículo, só serve pra alienar mulheres e fazê-las gastarem dinheiro”; “a moda é a forma de nos expressarmos, posso chocar a sociedade ou sumir na multidão”. Percebi que estou em um blog de moda para não chocar a sociedade e estar na divisa entre “sumir na multidão” e “agradar a mim mesma e aos outros, pelo menos a maioria”, na questão crucial da humanidade sobre “qual casaco usar por cima de um vestido de festa de formatura”. Eu gostava mais de quando a minha vida se resolvia ao entrar em uma loja de surf, apenas. Não que eu não goste de me arrumar, claro, todo mundo gosta. Mas naquela época usar uma camiseta trash com um símbolo da Roxy, uma calça jeans e um tamanco plataforma parecia bonito pra mim e pros outros. É que não ter paciência pode soar como “moda é uma merda”. Não é isso que eu quero dizer, tanto é que tudo que mais queria neste momento é um personal stylist de plantão, na minha porta, com 10 sacolas de lojas diferentes, todos os dias, e com 50 alternativas prontas para serem escolhidas por mim. Não quero me comunicar com o mundo desta forma, embora seja uma proposta louvável. A moda é até importante, porque incentiva pesquisa de novos tecidos, talvez de fontes sustentáveis, ou mais confortáveis, entre outros benefícios a sociedade. Dar dinheiro pra a quadrilha da Daslu é o de menos, roupas até que são legais. E é uma pena que pessoas que estudem moda não sejam levadas a sério. Falei de mim, afinal. rs
    A página do Word está terminando. Calibri (Body), Fonte 11, espaçamento 1,5, parágrafos separados por espaços. Informação para simples conferência a quem interessar, ou seja, dê ctrl c + ctrl v e surpreenda-se com a veracidade da informação. Desconte as margens. Fim.

    quinta-feira, 22 de julho de 2010

    domingo, 11 de julho de 2010

    Vida, o universo, e Copa do Mundo.

    Cinquenta e seis dias atrás eu iniciei um documento que salvei na minha pasta de documentos, pois pensei que não era aquele o momento de escrevê-lo.

    Esse documento fala sobre a Copa do Mundo. Eu inicio ele dizendo que faltavam, naquele exato momento em que ele começava a ser escrito, 25 dias, 1 hora e 39 minutos para o início da Copa. Eu digitei uns três parágrafos e falei sobre o futebol, a importância dele para o mundo e para o Brasil e como a nossa seleção é a única no mundo a usar a palavra “Seletos” para designar-se a si mesma. Falei também do porque aquilo era importante para a nossa seleção, e como aquilo impunha um respeito para nós mesmo e para os outros.

    Eu deixei de lado o texto, pois achei que tinha mais o que falar, mas não sabia o que. Imaginei que nos dias que seguiam eu teria algum assunto, e até me vieram algumas coisas, mas acabei não escrevendo.

    Não desenvolvi no início da copa, nem na metade, nem antes do primeiro jogo do Brasil e nem depois dele, e tão pouco no segundo, terceiro, quarto ou quinto. Nem antes nem depois de quatro deles. Nem antes de cinco.

    Inevitavelmente, eu venho falar do depois do quinto jogo, pois, se em algum momento decidi falar sobre isso, foi depois. Então depois é depois, após, o contrário de antes, pois antes dele só imaginamos e predizemos, só fantasiamos e pouco pensamos na realidade. Não pensamos na verdade.

    Ou pensamos e nem nos tocamos disso. Eu pensei. E até comentei sobre as verdades que apareceram, e elas apareceram antes do quinto jogo, e depois fui perceber, elas apareceram lá bem antes da Copa, meses antes. Um mês, ou 45 dias, ou algumas semanas.

    Lá, bem lá longe, as verdades surgiram. Não foram as verdades do “tinha de levar esse, esse e esse” nem tão pouco “não podia levar esse e nem aquele”. A verdade que eu vi, e só depois percebi – durante a Copa – foi a verdade da mídia brasileira, e o quanto eu desprezo ela com o mais profundo desdém.

    E quando percebi isso, passei a torcer mais. Torcer duas, três, quatro vezes mais. Eu torcia pelo título, pelo seis. Passei a torcer também por um cara, e depois por outro, e também por outro.

    Torcia pelo Lúcio, e isso ficou claro desde o início do blog. Eu já falei sobre ele, fiz uma homenagem, dizendo que ele mereceu levantar a taça das Confederações, e que dias antes tinham criticado ele. Ai ele foi lá e calou a boca de todo mundo. Épico. Um ano depois, hoje, agora, a poucos dias e semanas, elogiaram ele. A mídia que eu desprezo, por acaso, compartilha de minha opinião, e também elogiou e continua elogiando ele. No entanto, ele não tem taça nenhuma pra levantar. Mudou muita coisa.

    Eu torcia pela Seleção, e também torcia pelo Lúcio. Ele tinha que levantar aquela taça. Ele tinha que fazer milhões em todo o mundo engolirem seco oito anos de crítica. Isso lava a alma de qualquer ser humano. Mas, infelizmente, isso não aconteceu. Ele pode ainda fazer isso, e com mais epic win agregado, fazendo 12 anos de críticas descerem quadrado milhões de esôfagos adentro. Mas não sei se vai acontecer.

    Lúcio é o dois. Seleção o um. Três e quatro vêm juntos, não pra economizar linhas, pois fodam-se elas, mas porque três e quatro explicados e relacionados juntos tem uma razão de ser.

    Três e quatro são Dunga e Felipe Melo. Sim, eu torcia para eles. Do primeiro ao último dia, e ainda estou torcendo, e por mais triste que eu esteja, um resquício de esperança ainda me faz cultivar essa felicidade.

    Dunga fez tudo certo. Yep, ele fez tudo certo. Não é que ele não tenha errado, ele até pode ter, mas isso é uma questão de perspectiva. Depende de qual ângulo subjetivo você vê isso. Dependendo da perspectiva, ele pode simplesmente ter deixado de acertar um pouco mais.

    Ele fez tudo certo, tudo mesmo, e mais um pouco. Ele escrotizou a mídia brasileira, e ela merecia ser escrotizada. A mídia brasileira precisa entender que o poder deles sobre a informação na Era dela é mínimo.

    A Informação, na era que ganhou o nome dela, mudou. Ela pode ainda ser produzida por pessoas, e isso nunca vai mudar. Mas ela possui uma nova característica, ela pode, diferente de todas as coisas, – ou, vá lá, considere exceções se quiser, e elas devem existir – gerar a si mesma. Espontaneamente.

    Você tem de entender isso. Ou tudo bem, não precisa entender. Talvez esse conhecimento não influencie de nada a sua vida, como tantas outras coisas. Mas quem lida com a informação, bom, essas pessoas TEM de entender isso. Tem de aprender a respeitar esse novo fenômeno do universo, saber como ele age, o que ele fez, o que vai fazer. Tem de dar as mãos, dar um tapinha nas costas, ser amigo dele.

    A única coisa que você não pode fazer, é manipulá-lo, pois isso, na era Dela, é impossível. E é isso que algumas pessoas tem de entender.

    Essas pessoas, como muitas outras, não vão aprender isso por livre e espontânea vontade. Alguém precisa ensinar isso a elas.

    E em toda a nossa história no mundo, que começa lá atrás em período indeterminado e vai até hoje – o aqui e o agora – nenhum outro momento foi mais propício para que isso acontecesse do que durante a Copa do Mundo. E a única pessoa que poderia ter feito isso eram na verdade duas: Dunga e Felipe Melo. Sério.

    Isso aconteceria quando o Felipe Melo, aos cento e dezenove minutos e cinqüenta e três segundos da prorrogação, chutasse a bola numa distância de 38 metros do gol, acertasse o ângulo direito, e, até a quarta parte de seis que compreendem um segundo, o mundo, por inteiro, seria dominado pelo mais absoluto e completo silêncio.

    Do final da quarta parte desse segundo, até o final da sexta, a informação seria gerada espontaneamente, e o mundo, apesar de tomado pelo mais ensurdecedor dos barulhos que na verdades é a junção tantos outros mais as vuvuzelas, ficaria, também, em silêncio. E ai algumas pessoas que não entendiam que a informação nasce, desenvolve, morre e nasce de novo... bem, eles entenderiam que ela faz tudo isso. Sem precisar deles.

    Acontece que, infelizmente, ou felizmente, aquela freqüência determinada que o Universo atinge de quatro em quatro anos humanos, entre o sexto e o sétimo mês do calendário romano, e que propicia um horizonte de eventos absolutamente imprevisível, quis que essa possibilidade de realidade alternativa gerada de pensamentos ou ações não fosse a que regeria o nosso presente universo, a nossa presente realidade.

    A nossa realidade e o nosso universo, no momento, são absolutamente diferentes dessa previsão hipotética que muito poderia tornar-se história. Eu não sei dizer se isso é bom ou ruim. Numa análise inicial, considerando só o até aqui e agora, ela é bem ruim. Pelo menos para mim.

    Pois, diferentemente daquilo que eu mais desejei, as pessoas que deviam aprender de nada aprenderam sobre aquilo que deveriam. Elas na verdade acham que acertaram, e que alguém errou.

    O que me tranqüiliza agora é o meu apego na teoria quântica de que tantas outras realidades e universos se formaram a partir desse momento, e que uma outra, hipotética, que imaginei e quem sabe possa o universo e a realidade regentes terem tomados como a correta, possa se concretizar daqui a quatro anos.

    E essa hipotética realidade, sem mais delongas ou linhas desnecessárias, é simples e puramente isso:

    Felipe Melo capitão do Hexa.


    E ai todo mundo que procrastinou mais quatro anos de aprendizado vai realmente entender. Vai olhar para si mesmo, dizer “é...” e depois um outro “É.” final e absoluto, a mão apoiada num rosto com cara de cu. E vai olhar lá pra trás, lá para quatro anos antes, e perceber que um erro anterior tornou-se o mais absoluto acerto. E que isso torna ele, na verdade, um acerto desde o início. E que poderiam ter considerado isso, caso a perspectiva fosse considerada.


    E então Dunga e Felipe Melo finalmente vão ensinar a quem ainda faltava aprender, que dentre coisas e mais coisas que regem nossas vidas, a ironia vez ou outra reina absoluta, as vezes dia aqui dia ali, as vezes de quatro em quatro anos.


    E, acima de tudo, que aqui é pé na porta e soco na cara.

    segunda-feira, 5 de julho de 2010

    Sabedoria popular

    Sabe a diferença entre um designer, um jornalista e um jurista leia-se adevogado?

    Nenhuma.

    sábado, 26 de junho de 2010

    Essas merdas só acontecem comigo mesmo

    tarado diz: oi
    Vanessa diz: quem é?
    tarado diz: tarado sp acho que tc outro dia
    Vanessa diz: acho que não hein, de onde vc pegou meu msn mesmo?
    tarado diz: no chat de bate papo
    Vanessa diz: o_o
    tarado diz: mas tudo bem tbem se não quiser ter mais um amigo
    Vanessa diz: fiquei curiosa, que chat?
    tarado diz: erótico acho
    Vanessa diz: AHAHAHAHAHAHAHAHA
    tarado diz: uol
    Vanessa diz: ce ta falando sério?
    tarado diz: pior que sim viu... mas tranquilo te deixo em paz a partir de agora ok vlw pela atenção
    Vanessa diz: não não... quero saber quem foi que avacalhou comigo. não precisa ficar com vergonha não, sem preconceitos.. hahaha
    tarado diz: eu ñ estou com vergonha
    Vanessa diz: só é certo que alguém quis tirar uma com a minha cara
    tarado diz: num era vc lá?
    Vanessa diz: não
    tarado diz: ah ta tudo bem
    Vanessa diz: pois é
    tarado diz: eu entrei lá de curioso saca ai tc com vc ( ou alguem que disse ser vc) e o papo foi bacana mas sem malicia papo de gente adulta naDA MAIS
    Vanessa diz: entendi e ce lembra como a pessoa me descreveu? tipo, quantos anos eu tenho, de onde eu sou e tudo mais
    tarado diz: 1.65 58 kg olhos negros cabelos lisos médios, casada
    Vanessa diz: oq mais?
    tarado diz: nada só isso msm, vc é de sp
    Vanessa diz: e qtos anos eu tenho?
    tarado diz: ñ tenho certeza mas acho que deram 25 ou 28 n~me lembro
    Vanessa diz: tudo que você me falou tá totalmente errado hahahahaha ufa
    tarado diz: desculpa moça não queria ter te incomodado
    Vanessa diz: não não, relaxa eu ri
    Vanessa diz: bom, obrigada pela cooperação viu? melhor sorte da proxima vez
    tarado diz: por nada moça

    sexta-feira, 25 de junho de 2010

    Tá fazendo o que?

    Eu não sei se essa é a primeira vez que uma conversa de msn origina diretamente um post. Bom, não instantaneamente, ao menos.

    Não sei se instantaneamente leva acento. Uma linha pontilhada vermelha apareceu abaixo dela. Duas vezes.

    Mas o que me deixou curioso foi que 

    não lembro mais o que me deixou curioso. Mas o que importa é que a frase "tá fazendo o que agora", redigida há menos de cinco minutos, me fez lembrar do início dessa década. Era Mirc. Er não de ser, Era de período. Tipo Era Dunga. Mas isso fica pra outra hora, pra quando eu souber quem vai rir. Pra caralho.

    Era mIRC.

    Bons tempos. Não que eram melhores, mas eram realmente bons. Você se preparava para entrar naquele mundo virtual de palavras e sacanagem e uns amigos aqui e ali e entre você e a rede estava uma interface quase sempre igual, as vezes vermelha e com a palavra AVALANCHE, as vezes não lembro a cor, mas que tocava "O Senhor da Guerra", ou, a mais legal de todas, que você clicava duas vezes com o mouse, vermelho, amarelo, verde e o que mais viesse surgiam na tela e um grande e sonoro "YOOOOO" lhe cumprimentavam e preparavam para o que der e viesse.

    Depois era escolher o servidor, dar um /j alguma coisa e estar plenamente conectado com as pessoas do mundo. Ou da sua cidade, que já servia.

    Mas isso não é sobre o mIRC, e sim sobre a evolução inimaginável que passou a internet nessa década. Antes você tinha de procurar a pessoa e perguntar a ela como ela se sentia, o que ela sentia, o que estava fazendo,  que esperava que aconteceria no dia seguinte. Hoje não precisa mais disso.

    Naquela época pra você saber que música a pessoa gostava você perguntava "que tipo de música você gosta?" e ela te responderia ou não.

    O tempo passou e as paradas evoluíram e você poderia saber que música era a preferida da pessoa só de entrar no orkut dela e ver as comunidades. Se ela não tivesse em nenhuma, bom, você ainda tinha de perguntar.

    Como prediziam os filósofos do velho milênio, as relações sociais se estreitariam consideravelmente com o advento da internet.

    Né?

    Eles erraram. A culpa não é deles. É que a eles não foi reservado a maravilha de viver uma geração transitória, que pulou do analógico para o digital, enquanto a deles teve de correr a passos pesados e lentos. A gente aprendeu o que tinha de aprender, dominamos o que era necessário num piscar de olhos e nos presenteamos com uma convivência social que poderia sofrer manutenção de duas frentes diferentes: virtual e real. E vivemos bem assim. As pessoas continuam tendo problemas, mas isso é coisa normal do universo. Problemas sempre surgem. Novos.

    No final da década rolou outra revolução, e agora os filósofos estão mais desnorteados que filha da puta cego em dia de tiroteio. Ouvi isso uma vez. Agora ao invés de você perguntar a outro o que ele ta fazendo, ele mesmo diz isso e você recebe a informação em tempo real. Pode ver também o que ele anda ouvindo, ou site que anda visitando nas horas de folga do trabalho. E você sabe que tudo isso é relavente, pois a pessoa faz questão de compartilhar isso com o mundo. E ela compartilha também as suas opiniões políticas e o que ela pensa sobre um monte de coisas, em poucas palavras ou não - caso você tenha um blog pra perder. 

    Agora você não só organiza virtualemnte aquelas coisas que você gosta, você pega, aponta e anuncia para o mundo. Isso deixa as coisas muito mais fáceis pra todo mundo, inclusive para o mundo que não para e continua girando.


    terça-feira, 22 de junho de 2010

    Nova tag de postagem

    Nova tag de postagem, pois vamos começar uma série de posts aqui. Essa série de posts não tem hora nem dia pra acabar, é perpétua e infinita.

    Nessa série de posts, você manda alguém tomar no cu.

    Mas faz isso com classe, estilo, convicção e com fuck yeah.

    A partir de hoje, você não manda mais tomar no cu na maneira habitual.


    Você começa com respeito. Chama: "Senhor" ou mesmo "Senhora". Rola um senhorita, amigo, rapaz, cara, cumpadi, qualquer coisa. Mas você começa demonstrando algum respeito.

    Depois faz uma pausa. A pausa não pode ser maior que um ou dois segundos.

    "Meu amigo...[aqui ficam os segundos] seguinte:"

    Você coloca pontos na sequência. Esses pontos são uma pequena pausa, eles dão enfase e só isso. Não precisam nem de um segundo, na verdade, meio e olhe lá.

    E ai vêm as palavras mágicas:

    "Meu amigo... seguinte: Vai tomar no meio. [aqui o ponto, a pausa ligeira] do o-"

    No final, com todas as palavras proferidas, teremos:

    "Meu amigo... seguinte: Vai tomar no meio. Do olho. Do seu cú."

    Você pode juntar as mãos, fazer uma cara séria. Se você tem sangue italiano, da pra rolar uns trejeitos massa, mas nada exagerado.

    Há duas saídas para essa situação, essas saídas dependem da pessoa que sugerida tomar no cu. Ou ela despiroca completamente, o que, se você fizer todos os passos descritos ela dificilmente vá fazer, mesmo que seja uma pessoa irritada e coisa e tal. Ou então, ela vai parar, ficar meio que estupefata com o que você falou. Vai tentar absorver e interpretar as palavras, pois apesar de você ter mandado ela tomar no cu, fez isso com tanta classe e seriedade ao mesmo tempo que a pessoa vai ser quase que obrigada a considerar que cometeu algum erro em toda aquela situação que precedeu a sua sugestão. Isso é uma maneira bem interessante de você ganhar a pessoa e apresentar o seu ponto na discussão/assunto.

    Voltando ao assunto inicial, nessa nova série de postagens, você mandará alguém tomar no meio do olho do cu. É interessante uma explicação ou narração breve antecedendo o post: quem é a pessoa, porque você a mandou tomar no cu in this way. Você pode nunca ter encontrado essa pessoa, ela pode ser da televisão, internet, twitter, orkut, myspace, da sua sala de aula faculdaids, do seu trabalho, do seu pseudo trabalho, a geisy arruda, os políticos. 

    Pode ser um desabafo. Você escolhe. Se possível, tente isso com alguém pessoalmente. Pelo menos uma vez na vida.

    Façam, ou não façam se não quiserem, a escolha é de vocês. Isso é uma proposta. Se fizerem, relatem, contem a todos que merecem ouvir o relato, contem na mesa de bar, no carro durante a viagem, no onibus durante o dia-a-dia, no banheiro e chuveiro sem ninguém. Na frente do espelho.

    Mas façam. Mandem alguém tomar no olho do cu. 

    quinta-feira, 17 de junho de 2010

    Mensagem

    "Jesus não tem um MSN...
    Mas ele está online todo o tempo!"

    REFLITÃO

    sábado, 12 de junho de 2010

    Você sabe porque o pãozinho francês da padaria está mais fofinho e gordinho, de uns meses pra cá?



    E não é porque mudou de padeiro. Quase todas as pessoas nascidas há tempo suficiente para ter a autonomia de pedir "5 pães de trigo" pra tiazinha da padaria, há uns 3 anos atrás, devem lembrar que esta ação lhes custaria "25 centavos a unidade", ou algo assim. Ou seja, se você saia de casa com R$ 1,50 no bolso, sabia que voltaria com 6 pães pra casa. Sua mãe te dava R$ 10,00 e sabia exatamente qual o troco esperado, sem qualquer chance para uma eventual superfaturação do pãozinho.
    Não lembro exatamente da data desta transição, mas o fato é que o Estado, mais uma vez, meteu o bedelho no Mercado: agora o preço do pãozinho é determinado por kg. Pronto, agora os padeiros não nos enganam mais com aqueles pães anões, "de vento", e pagaremos exatamente pela quantidade de pão que vamos comer.
    Vivemos numa relação de amor e ódio com a nossa própria brasilidade. A verdade é que somos geniais, e da maneira mais filhadaputa possível. Seu pãozinho quentinho e fofinho, crocante por fora e de miolo macio, levemente umidecido, foi minuciosamente calculado para te roubar. Seu pão está mais pesado porque ainda tem água dentro, e você pagou pelo peso da água.
    Reflitão.

    segunda-feira, 24 de maio de 2010

    De volta pra casa,

    Passei agora pela Avenida Beira-Mar norte, aquela que todos nós sabemos qual é e somente não saberá aquele meu internauta (adoro esta palavra) visitante ou, às vezes, o meu grande público leitor, ambos fictícios. Um FODA-SE para vocês.

    Pois bem, em uma mesma cena, formada por 3 quadros de situações, passei por 3 emoções distintas. A cena inteira durou 5 minutos. O primeiro quadro, 4:55 minutos. O segundo quadro, 3 segundos. O terceiro, 2.

    Quadro 1: A fila do caralho, nesta mesma avenida, nada usual para o horário, sentido bairro-centro. Os carros pareciam andar devagar devido a um acidente. Subitamente, percebi que eram carros que pretendiam fazer retorno para a pista de sentido contrário, centro-bairro, e que desistiram da idéia. Eu entenderia melhor a situação se não estivesse ouvindo Losing my Religion, do REM, no máximo. Já que não ouvi, VI. E entra o Quadro 2. Antes que eu me esqueça, o sentimento lógico, aquele expressado pela máxima: “VÃO TOMAR NO CU”.

    Quadro 2: Muitos são os escritores que conseguem eternizar um acontecimento retratado em uma foto, observado por 3 segundos, através de páginas e mais páginas. Invejo-os. Por isso, recorro ao Google Imagens e segue abaixo algo similar, que transmite a mesma emoção ao expectador. Ainda por cima retirado de um site chamado REVOLUCAO.ORG:




    E foi uma emoção diferente. Era um sentimento libertário que, no fundo, apoiava esses jovens que jamais se calam diante da opressão, o futuro do Brasil, e, claro, os maconheiros. Remetia aos anos 70. Uma nostalgia fictícia, pois nos anos 70 minha mãe nem mesmo sonhava em ter filhos. E meu pai fumava maconha.

    Quadro 3: Eu dei 2 segundos porque gosto de seguir o colorido com os olhos. Na verdade eu precisei de apenas 0,5 segundos para que a minha alma reformulasse seu sentimento. Em vez de ilustrar o quadro com uma foto, ou descrevê-lo com algumas linhas como no primeiro, preferi usar apenas uma frase:

    “É A PULIÇAAAA CORRE NEGAIDS!!!”

    Uma pena que neste momento eu já estava a > 80km por hora, no sentido contrário das viaturas e sirenes que se aproximavam. Não pude ver, mas imaginar a cara de “FFFFUUUUU---“ do povo já foi suficiente para motivar a minha terceira emoção: de “FFFUUU--”, mesmo.

    Marx & Engels Against The World


    Esses dias passei na feira do livro e vi o manifesto comunista a venda por 5 reais. É, cincão. Tava em promoção. Tem umas editoras que vão pra feira do livro e fazem essas paradas, vendem livros por 1, 2, 5, 9, 15 reais. E livros bons. Alguns.

    O que me chamou a atenção foi que duas prateleiras ao lado era vendido o livro do Alexandre Frota, escrito por ninguém mais se não ele mesmo. Era um real o preço. Pensei em comprar, mas peguei mais um e cinqüenta e comprei uma coca.

    Agora, refletindo, me veio a cabeça a seguinte reflexão: uma das maiores obras do grandioso social comunismo escrito por Marx e Engels, que pregavam um monte de coisas, dentre elas, creio eu, acesso livre a cultura ou ao menos apadrinhado pelo Estado absoluto, era vendido em uma feira. Feiras são locais para exposição. Ou venda. Ou exposição e venda. Feirar um produto e depois vendê-lo são epítomes do Capitalismo. O oposto do que prega o manifesto comunista. A parábola disso tudo é a seguinte: porra nenhuma. Só que eles perderam e nós ganhamos. Sim, nós. Porque eu e você somos capitalistas, e prova disso é que você pagou de alguma maneira para essa alocação de bytes de internet para estar aqui e ler isso, logo, você contribuiu com a estrutura capitalista. É nóis.

    Eu senti ter presenciado a maior derrota do socialismo e comunismo que eu jamais poderia ter desejado – e eu nunca desejei – pois, toda a base do seu conhecimento, um pouco daquilo que o conceituou e segregou-o pelo mundo, estava ao alcance de minha mão e num preço apenas cinco vezes maior do que o diário de Alexandre Frota na Casa dos Artistas, ou duas vezes maior que uma Coca-Cola, um dos ápices do capitalismo, e, pra terminar, três vezes menor que um sanduíche do McDonalds, o pináculo do capitalismo.

    Vencer suando o Frota e a Coca, mas tomar um pau do McDonalds. Admita. Marx jamais seria capaz de imaginar esse cenário.

    quinta-feira, 22 de abril de 2010

    Postagem ramdom

    Oi. Sim.
    Esse post é um exemplo de como a mente humana é fascinante. Alguns nasceram pra isso, outros não. Não nasci com o dom da expressão verbal, seja oral ou escrita. Para quem o tem, fica fácil concordar com a minha afirmação. Se não tem, também é possível, pois esta pessoa ou se identifica de alguma forma com o que vê até o momento, ou utiliza como parâmetro algo que tenha visto anteriormente, e era melhor. Ou confronta meus textos com o que sabe que é capaz de fazer, mesmo que não se julgue bom o suficiente para classificar-se hábil na expressão verbal. Neste caso: "eu sou uma merda, mas essa pessoa é pior".
    Eu não consigo imaginar exatamente quais os argumentos de alguém, natural e notadamente bom escritor/orador, para dizer que este meu texto é uma merda. Ele pode pensar "ela é burra", mas eu também posso te ownar na matemática, filho da puta. E inteligência é algo relativo demais pra servir de argumento pra qualquer coisa.
    Então pode ser que esta pessoa perceba a não naturalidade e não fluência desse texto. Pois eu já passei pro terceiro parágrafo e eu não faço a menor idéia de quando é a hora certa de trocar parágrafos. Geralmente é quando eu tenho que parar pra pensar, de novo, no que eu to tentando dizer.
    Sim.
    Esse post não é pra fazer sentido. Na verdade eu gostaria que ele, poeticamente, não fizesse sentido. Mas ele agora faz sentido e não faz ao mesmo tempo, e não é poético. Então, neste momento, eu só gostaria que todos entendessem o que eu quero dizer. Ah, o random com M foi a maneira que eu tentei iniciar o post com uma enrolação, para, depois de 40 linhas dissertando sobre o meu erro proposital, chegar a algum lugar. Mas não deu. Eu poderia até explicá-lo agora, mas já perdeu a graça. FAIL. De novo.

    quarta-feira, 14 de abril de 2010

    Eu menti, não é sobre a Rule of Win

    Alguém chegou e pediu para o cara que escrevesse sobre sentimentos, mais especificamente, sobre o sentimento de um mal-estar preponderante e forte. Ele falou de cinza, e disse que todo mundo usava cinza, e que o mundo era cinza. Eu nunca entendi porque usam o cinza para isso. Talvez por ele representar a falta de cores, uma vez que branco e preto - que poderiam representar isso - são simbolismos para alguma coisa que o autor queira.

    Eu sempre pensei no cinza como um estado ou momento entre o preto e o branco. Do tipo decisões. Você toma decisões pretas, decisões brancas. Geralmente é assim. Eu gosto de fazer com que tomem decisões cinzas. Elas não são heróicas, e na maioria das vezes, são éticamente contestáveis. É claro que estou falando num contexto absolutamente ficcional.

    Ai pediram pra guria escrever sobre sentimentos também, mas ela tinha uma história pra contar. Ela começou falando de frio, e de como os dentes dela cerravam-se na tentativa de evitar que se chocassem um contra os outros. Nem a fogueira na frente dela, trepidando e estalando, servia seu uso de ser. Ela continuava com frio.

    Frio é usado para representar o frio. Você diminuiu a temperatura do cenário, coloca o personagem numa situação fantástica. Talvez levando um tiro. Dizem que levar um tiro faz as pessoas sentirem frio.

    Eu descobri que você pode sentir frio das mais diversas maneiras, inclusive com alguém lhé jogando na cara uma hipótese absurda e natural da natureza humana. E essa pessoa ri pra caralho de você por causa disso. Mas você sente frio. Já falei sobre isso.

    Os dois usavam e abusavam da formalidade gramatical. Eu admito que uso também, mas só para não deixar a frase feia. Sempre achei que quanto mais linhas melhor, quanto mais palavras usadas para dizer a mesma coisa, também. Recentemente meio que mudei essa concepção. O legal são poucas palavras, ou, vá lá, até que muitas palavras, mas num ritmo rápido e ligeiro, dando uma sensação de dinamismo que só pode ser alcançada por uma mente muito preguiçosa.

    Não sei se isso é melhor, mais interessante, mais legal, mas é o que estou fazendo agora. Na verdade estou fazendo os dois. Enrolando e dinamizando. Eu acho. Estou no meio da linha que separa o oito do oitenta, os dois extremos, a linha cinza. As vezes penso que é interessante continuar seguindo por ela. E que se foda o resto.

    sexta-feira, 9 de abril de 2010

    hot chicks with lightsabers


    Meu próximo post será sobre a Rule of Win


    quarta-feira, 7 de abril de 2010

    Ficha Limpa


    Ao contrário do meu último post, não sabia por onde começar esse aqui. Tanto é que esqueci o bloco de notas minimizado várias vezes.

    Não é sobre Big Brother mas é sobre voto.

    A única coisa que não tive dúvidas nem hesitei momento algum foi na escolha da foto ao lado.

    Em poucos dias o projeto de Lei Ficha Limpa deve ser arquivado e as pessoas vão se revoltar, vão à televisão dizer que é um absurdo, que é mais uma vitória da corrupção e coisa e tal. Ou talvez elas nem vão à televisão, talvez elas já sejam da televisão e só vão comentar sobre isso.

    Vão tudo tomar no cú sua cambada de cavalo repetentes.

    O negócio é que ele tem que ser arquivado, que ele não pode passar. Porque essa merda é pura e simplesmente inconstitucional. E se é inconstitucional, tem alguma coisa errada.

    E se você não gosta ou não aceita o fato dele ser inconstitucional, tome no cú e rape daqui. Argentina é do lado, Chile não é longe, Morales é uma pedida.

    Imagine um robô gigante. Eles são feito de metal e são gigantes, logo, são pesados, grandes, pesam toneladas. Se eles pisam em alguma coisa, provavelmente fodem legal a parada, certo?

    A não ser que essa parada seja um robô gigante também, ai não vai fuder tanto.

    O problema é que o projeto de lei não é um robô gigante, é um carinha random faceless e não creditado. Logo, ele está bem propenso a morrer.

    O simples ato de passar e aprovar o projeto de lei é um robô gigante. Quando, se, ele passar, o robô gigante entra em ação e pisa em cima do carinha random faceless, que como já foi explicado, é o próprio projeto de lei.

    Abaixo do carinha random há um monte de merda. Esse monte de merda é a constitucionalidade. Dentro do monte de merda há maggots, vermes, moscas, larvas. Nós somos esses.

    Então, quando o robô gigante, que é a inconstitucionalidade, pisar em cima do projeto de lei, ele leva junto nós, merda, inconstitucionalidade, e ainda arromba legal com o chão.

    Ele nos reduz à nada, e apesar de nós já estarmos bem fudidos, já que estamos dentro da merda, ainda assim ser reduzido à nada é bem ruim.

    Mas porque o robô gigante é inconstitucional?

    Por que ele é um ataque direto à princípios constitucionais que regem a nossa nação. É, alguma coisa ainda rege a nossa nação. Sério. É um pedaço de papel chamado Constituição Federal de 1988, que hora ou outra, é usada pra ajuntar a merda.

    Um desses princípios é o da presunção da inocência. E, queiram ou não, trânsito julgado com condenação em primeiro grau ainda vale a presunção da inocência.

    Como assim? Transito julgado? Primeiro Grau? Presunção da inocência em trânsito julgado em primeiro grau ainda que já julgado?

    Trânsito em julgado, condenação em primeiro grau, e ainda valendo a presunção da inocência pode facilmente simplificado com: Terminou o primeiro tempo e você tá perdendo de um a zero.


    Ainda tem o segundo. E pode acontecer coisa pra caralho no segundo tempo. Jogos se ganham no segundo tempo, campeonatos se decidem, Copas do Mundo se decidem no Segundo Tempo. As vezes nos segundos finais. Batalhas de robôs gigantes se decidem nos segundos finais também.

    O que fode é que esse projeto de lei abre a possibilidade de terminar o jogo no primeiro tempo. E nós, brasileiros, nação do futebol, sabemos que jogos não terminam no primeiro tempo.

    Eu lembro de uma vez que o Vasco entrou no segundo tempo perdendo de três para o Palmeiras e nos últimos 30 minutos de jogo fez quatro gols. Virou e ganhou.

    A gente sabe que isso acontece, por mais que evite pensar que um político pode dominar o jogo, driblar, fazer dois e virar o jogo, porque nós já partimos da presunção que eles estão sempre errados, que estão sempre roubando.

    É, acontece. E acontece na maioria das vezes. Mas não é sempre. E nem é esse o problema. O que fode, de novo, mais uma vez, é que se um projeto de lei faz você pisar em cima da presunção da inocência de POLÍTICOS, OS SERES DO UNIVERSO COM MAIS CHANCES DE NÃO SE FUDER NO CARALHO DE UM PROCESSO JUDICIAL, imagina o que aconteceria com o resto de nós, com o brasileiro médio?

    Essa porra pode iniciar um fascismo do caralho, ainda que aos poucos, à passos módicos e baianos. Jogar no lixo a presunção da inocência de uma pessoa é o segundo passo para um regime totalitário da porra. O primeiro é acabar com a liberdade de expressão. Freedom of Speech. Free Will.

    Se você manda um político se fuder, se a justiça manda um político se fuder e ignora os direitos deles, caralho, não quero nem ver o que aconteceria com os manos que roubam pão e margarina.

    Imagine um regime totlitário fascista do caralho de um robô gigante.

    É exagero, eu sei. Mas é uma possibilidade. Eu não quero isso.

    O outro ponto que me preocupa é que esse robo gigante impediria que a putada toda que tem problemas com a justiça possa se candidatar.

    Ou seja, uma galera.

    É, de certa forma, um /renew na política nacional. E essa é uma das principais bandeiras da parada. E eu concordo que isso é legal, sério. Uma renovação geral. O problema é que se isso acontecer, deve ser planejado. Mas por quais motivos isso deve ser pensado e planejado? Dou-lhes apenas um, de tantos motivos:

    O que acontece se essa galera fica impedida de se candidatar? Quem vai ocupar o seu lugar? Quem, na sociedade brasileira, são hierarquicamente os entes mais importantes na formação do caráter e manutenção da liberdade de brasilidade dos brasileiros?

    Os artistas.

    Sacou porque essa merda é inconstitucional? Sacou o meu medo?

    sábado, 3 de abril de 2010

    Uma mensagem de páscoa

    Dilema

    Hey its me JOÃO SEM AMOR PRÓPRIO. I'm emailing you because I think our friendship got kind of weird after awhile. I think you might have been getting the wrong vibe from me tho because some times my friendliness gets misconstrued as flirting. I'm sorry if I started to sound creepy I didn't mean to come off like that. I wanted to see if we could start over. your a really cool person and I would really like to be friends with you. If not I understand where your coming from. Anyway I hope to hear from you soon....

    Eu estava prestes a abrir o email que contem as informações preciosas do meu horóscopo diário personalizado quando resolvi reabrir o email que o João (aquele lá do outro post) me mandou. O email é tão patético e a situação é tão absurda que eu não sei o que responder, por isso me dirijo a vocês, caros amigos, pessoas tão cheias de compaixão pelo próximo e idéias bizarramente geniais. Bolei, sozinha algumas possíveis respostas para o email de João. Opinem, discorram e postem suas próprias respostas a esse adorável email.

    OPÇÃO 1:
    Querido,
    Se aquele é o seu jeito de ser amigo das pessoas, faça um favor a sociedade e se mate, porque você é muito motherfucking twisted. Não quero ser sua amiga, por favor não incomode.
    Beijinhos.

    OPÇÃO 2:
    Querido,
    Morra.
    Beijinhos.

    OPÇÃO 3:
    Querido,
    Eu me afastei de você porque, quando dei por mim, estava perdidamente apaixonada. Seu cabelinho raspado em degradê, seu IMC > 50, sua corpulência, suas roupas de mano e sua cara de imigrante ilegal me conquistaram de uma maneira que não poderia suportar a dor de te abandonar. Provar seu beijo e voltar para o Brasil, sabendo que jamais te veria novamente... prefiro a morte. Fiz o que fiz para me poupar, peço milhões de desculpas pelo meu egoísmo. Me pedoe, meu amor, me perdoe.
    Beijinhos.

    REFLITÃO e opinem. Beijinhos.

    Eu tenho o Poder Absoluto.

    Eu não pensei em nenhuma maneira especial de começar esse post. Eu não quebrei a cabeça pra bolar ele, e nem queria fazê-lo a tanto tempo e estava tão preocupado com a qualidade que tinha receio de começar de vez.

    Na verdade, eu pouco ligo. Na verdade, anunciei no post anterior a existência dessa possibilidade porque nada tinha para fazer.

    E o post saiu, e simplesmente, saiu espontâneo. Sem edições, na integra. Diferente do Big Brother.

    Quando fui hoje de madrugada pegar um copo de coca na geladeira, de repente me veio na cabeça o quanto o Bonifácio tem cara de perdedor. O Boni, Boninho.

    É. Esse é o nome dele. José Bonifácio.

    E quando ele era criança ele apanhava pra caralho no colégio. Ele nunca disse isso, mas eu tenho certeza. Porque só assim pra ele crescer e virar um ser que se acha um ente que se acha importante mas na verdade é um merda.

    Quando ele apanhava, uma roda se reunia em volta dele, que caído no chão, recebia chutes, pontapés e mata-leões. E gritavam e caçoavam dele, xingavam a mãe e diziam o quanto ele parecia com o Ovelha e com aquela bichinha gaga.

    E se eu vou começar esse post de verdade com alguma coisa, é isso: Boninho é um merda.

    Ele é um merda porque tenta ser alguém que não é: alguém importante. Se ele morresse hoje, provavelmente acabaria o Big Brother ou ele não seria mais o que é hoje. E se o Big Brother morresse ou deixasse de ser o que é hoje, ninguém se importaria.

    Alguns achariam que se importariam, suas vidas se tornariam não-viváveis por algumas semanas, mas logo preocupações relevantes se apresentariam e eles teriam de tomar partido. Ai iam esquecer do Big Brother.

    O pior medo do Boninho é que o Big Brother acabe, porque ai ele vai voltar a ser um merda. Ele poderia trabalhar na direção de elenco ou em qualquer outro lugar na Globo, mas não seria a mesma coisa. Por que ele não teria o mesmo controle sobre as pessoas. Pois no BBB ele tem controle sobre as pessoas dentro da casa, e até pouco tempo atrás, ele tinha controle sobre as pessoas fora da casa também. Ele podia mostrar o que quisesse e fazer os seus personagens parecerem agir da maneira que ele quisesse.

    Só que ele teve de ceder à internet e deu no que deu. Ele aprendeu que você não pode controlar a internet, que um não pode controlar a internet. A não ser que você ou o um sejam a Skynet, Matrix, Neuromancer, etc.

    E Boninho não é nenhum deles. Mas ele gosta de pensar que é. E quando ele descobriu que não era, voltaram todos os seus pesadelos de infância. Toda aquela dor do orgulho despedaçado vieram à tona, novamente. Coisas que ele já tinha superado e esquecido no passado.

    Mas o que fudeu verdadeiramente o Boninho, foi que não só a internet mostrou-se a dona do seu querido programa, da sua querida criação, consequentemente trazendo os seus temores de infância e adolescência à tona, como quiseram também as variáveis do universo, que temores, medos e ódio infantil estivessem dentro do programa.

    Boninho tomou no rabo legal quando os caras que pisavam e chutavam e socavam e viravam ele no lixo quando criança tornaram-se tangíveis e donos de sua própria vóz na forma de um dos competidores. Quando Boninho resolveu que brothers passados voltariam, achou ele estar com seus traumas superados ao ressuscitar o lutador de vale-tudo. E Bonifácio foi mais além, estava tão bem resolvido com seus temores de infância que estava tudo planejado para que o lutador pudesse entrar no programa sem aparente esquema explícito. Montou-se uma prova de resistência, que, teoricamente, seria vencida pela tribo dos esportistas, os representantes do lutador de moicano.

    Só que eles não venceram. Ainda bem que o plano B já estava operando antes mesmo do A entrar em ação. Antes de cada um dos ressuscitados de programas anteriores disputassem seu lugar no novo, Bonifácio, com toda a delicadeza que lhe é característica, gritou no ouvido de cada um: "Aquele ali, ó. Chama ele se tu entrar". Ficou decidido então, desde o início, que o lutador entraria.

    Boni estava tão seguro de sí que queria porque queria que o lutador entrasse na casa. Porque tudo fazia parte de um plano maior. O lutador seria o seu antagonista, pois, pensava ele conhecer o lutador só de olhar para ele, só de olhar os vídeos da edição anterior a que esse participou e de julgar que, como qualquer outro humano ao qual já tenha sido seu subordinado, este também não tinha mudado nada.

    E talvez não tenha. Ou talvez tenha. Não importa. Não importa porque Boninho tomou no cu fortemente. E isso que importa.

    E ele tomou no cu porque o lutador, em toda sua previsibilidade, acabou virando o jogo. Não sei como ele virou o jogo. Já vi gente falando, explicando, detalhando. Alguns eram phDs em Big Brother. Mas eu realmente não sei. Talvez seja por que ele tenha chorado, talvez tenha sido pela aversão dos outros à ele, talvez tenha sido porque ele foi ele mesmo. Talvez tenha sido porque ele achou que o idiota tava sendo idiota demais e disse para ele parar de ser idiota, e fez o mesmo com o viado, com o burro, e com muitos outros. Talvez o público tenha visto que o viado estava sendo viado demais, que o burro estava homéricamente burro, que o idiota superava-se a cada novo dia e, sentiu o público, que alguém precisava falar aquilo para eles. E o lutador fez isso.

    Ou talvez tenha sido por outro motivo.

    Não importa, porque Boninho tomou no cu fortemente. O lutador cresceu, e cresceu absurdamente. O lutador ganhou força e começou a peitar todo mundo. Inclusive Boni. E peitou, e ganhou.

    Chutou, pisou, socou Boni.

    E Boni chorou como uma menininha. Ele nunca revelou isso, mas eu sei que ele chorou. Você também sabe agora, porque descobriu ou porque agora ficou sabendo o quão frágil e desprezível é o Bonifácio. E você não consegue nem ter pena dele, porque ele é realmente desprezível. E arrogante. E idiota.

    E foi por isso que eu fiquei realmente feliz pelo Boni ter perdido. E para que ele perdesse, o lutador tinha que ganhar. O lutador começou como um secudário, cresceu, virou protagonista, cresceu, e cresceu mais que o autor da história, e chutou a bunda dele. Várias vezes.

    O lutador era um arquétipo, e em sua arrogância, Boni achou conhecer esse arquétipo, achou ser possível e incrivelmente fácil prever como agiria esse lutador, pois o lutador do big brother não só representa um lutador, mas representa também outros ideais, outros temas, outros conceitos que um personagem deve apresentar. E Boni achou que ele faria isso tudo. E fez. Só que o lutador foi além, por que ele é um lutador, e esse, presume-se, ataca alguém.

    Um lutador, como diz a palavra, luta. E ele lutou, distribuiu porrada, grocerias e pedreiragens. Só que esse lutador tinha inteligência. E sorte. E carisma. E, acima de tudo, era diferente. Era o mais diferente, pois era único. Único no meio de tantos diferentes que acabaram se tornado iguais. Que se tornaram whatever. Eles queriam que esse big brother promovesse a igualdade. E promoveu. Foi bem sucedido. Mas ninguém avisou a eles que poderia promover a igualdade e necessariamente uma dessas minorias, recém adquirentes do seu status de igualdade sairia vencedora do prêmio material.

    Restou a eles o prêmio moral: igualdade promovida, aceitação adquirida. Mas quem venceu foi o lutador, o antagonista, que no meio de tantos bons moços e moças, tanta gente que queria se fazer aceitável, foi o verdadeiramente aceito, porque, acima de tudo, foi aquilo que tinha de ser: competidor. Antagonista, na origem graga da palavra, significa: oponente, rival, competidor. Os outros entraram pra disputar a medalha moral, e só isso.

    Eles ganharam o segundo lugar. Boni ficou com o quarto, sem medalhas. O lutador ganhou o primeiro lugar, e assim que saiu disse que a vitória foi "nossa", de muitos, que "ganhamos eu e vocês", e é verdade. Quem perdeu foi o Boni. Pois o lutador ali dentro virou uma força, uma força inesperada, imensurável, incontrolável: a força da internet, a força da livre opinião, do pensamento livre, que Boni aprendeu há dois dias atrás ser uma força que não pode ser contrariada, não pode ser vencida, não pode ser provocada.

    Porque ela é pura e simplesmente o desejo, a vontade das pessoas. As pessoas que o Bonifácio não tem controle algum.




    "Eu tenho o Poder Absoluto", é realmente uma frase que se encaixa perfeitamente no contexto. Como um todo.