domingo, 5 de julho de 2009

O dia em que o SUS salvou minha faculdade

Um dia alguém da Secretaria Municipal de Saúde acordou e pensou: "puxa vida, acho que vou juntar os funcionários públicos mais burros, mal-comidos e preguiçosos para foder com algo que deveria ser útil para a sociedade". Assim surgia a equipe de uma ULS (unidade local de saúde).

Outro dia, alguém na universidade achou que seria divertido foder com o dia dos aluninhos - porque nós não temos o que fazer mesmo, essa faculdade período integral é PURA BRINKS - obrigando-os a desfrutar uma agradável tarde de quinta-feira aprendendo com a equipe da ULS o que estes sabem fazer de melhor: absolutamente nada.

Daí um dia eu e uma cotista colega estávamos sentadas na sala de espera fazendo, ADIVINHEM, absolutamente nada quando ela resolveu ir ao banheiro. Nisso, nosso supervisor me informou que havia a possibilidade de uma de nós assistir a um matriciamento psiquiátrico (googleie porque eu não vou explicar). Eu deveria esperar minha amiga cotista linda voltar do banheiro para debatermos como sair de tal situação infeliz e decidirmos quem iria aproveitar a oportunidade de olro que nos foi tão carinhosamente oferecida.

Leia a minha biografia. Viu ali onde fala que eu sou vadia E inescrupulosa? Então.

Quando ela voltou, falei que era pra ela ir pra vacinação ficar ouvindo a enfermeira balofa falar sobre como a raiva pode ser transmitida inclusive por mordidas de bovinos - veja você que inusitado - enquanto eu ia acompanhar uma consulta. Mas ela não precisava se preocupar porque assim que acabasse a primeira, eu ia sair de fininho e trocar com ela. Hihihi. I'M BAD.

Corri, me enfiei na sala junto com a médica e o psiquiatra, e acompanhei dois matriciamentos. O primeiro, uma mãe de um presidiário chorava as pitangas, reclamando da baixa dose de diazepam que deram pra ela, e no segundo, uma faxineira discursou sobre como tinha sido espancada, estuprada e aterrorizada durante toda a vida dela enquanto o psiquiatra aumentava a dose do antidepressivo dela.

Substitui "mãe de presidiário" por "mãe de um universitário drogadinho" e "faxineira" por "madame que foi trocada pelo marido" e lágrimas escorreram por minha face porque, JESUS, é isso que eu quero da minha vida.

E foi assim que o SUS alegrou o meu dia e me lembrou do que que eu tô fazendo nessa porra dessa faculdade.

Fim.

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