Não sei se instantaneamente leva acento. Uma linha pontilhada vermelha apareceu abaixo dela. Duas vezes.
Mas o que me deixou curioso foi que
não lembro mais o que me deixou curioso. Mas o que importa é que a frase "tá fazendo o que agora", redigida há menos de cinco minutos, me fez lembrar do início dessa década. Era Mirc. Er não de ser, Era de período. Tipo Era Dunga. Mas isso fica pra outra hora, pra quando eu souber quem vai rir. Pra caralho.
Era mIRC.
Bons tempos. Não que eram melhores, mas eram realmente bons. Você se preparava para entrar naquele mundo virtual de palavras e sacanagem e uns amigos aqui e ali e entre você e a rede estava uma interface quase sempre igual, as vezes vermelha e com a palavra AVALANCHE, as vezes não lembro a cor, mas que tocava "O Senhor da Guerra", ou, a mais legal de todas, que você clicava duas vezes com o mouse, vermelho, amarelo, verde e o que mais viesse surgiam na tela e um grande e sonoro "YOOOOO" lhe cumprimentavam e preparavam para o que der e viesse.
Depois era escolher o servidor, dar um /j alguma coisa e estar plenamente conectado com as pessoas do mundo. Ou da sua cidade, que já servia.
Mas isso não é sobre o mIRC, e sim sobre a evolução inimaginável que passou a internet nessa década. Antes você tinha de procurar a pessoa e perguntar a ela como ela se sentia, o que ela sentia, o que estava fazendo, que esperava que aconteceria no dia seguinte. Hoje não precisa mais disso.
Naquela época pra você saber que música a pessoa gostava você perguntava "que tipo de música você gosta?" e ela te responderia ou não.
O tempo passou e as paradas evoluíram e você poderia saber que música era a preferida da pessoa só de entrar no orkut dela e ver as comunidades. Se ela não tivesse em nenhuma, bom, você ainda tinha de perguntar.
Como prediziam os filósofos do velho milênio, as relações sociais se estreitariam consideravelmente com o advento da internet.
Né?
Eles erraram. A culpa não é deles. É que a eles não foi reservado a maravilha de viver uma geração transitória, que pulou do analógico para o digital, enquanto a deles teve de correr a passos pesados e lentos. A gente aprendeu o que tinha de aprender, dominamos o que era necessário num piscar de olhos e nos presenteamos com uma convivência social que poderia sofrer manutenção de duas frentes diferentes: virtual e real. E vivemos bem assim. As pessoas continuam tendo problemas, mas isso é coisa normal do universo. Problemas sempre surgem. Novos.
No final da década rolou outra revolução, e agora os filósofos estão mais desnorteados que filha da puta cego em dia de tiroteio. Ouvi isso uma vez. Agora ao invés de você perguntar a outro o que ele ta fazendo, ele mesmo diz isso e você recebe a informação em tempo real. Pode ver também o que ele anda ouvindo, ou site que anda visitando nas horas de folga do trabalho. E você sabe que tudo isso é relavente, pois a pessoa faz questão de compartilhar isso com o mundo. E ela compartilha também as suas opiniões políticas e o que ela pensa sobre um monte de coisas, em poucas palavras ou não - caso você tenha um blog pra perder.
Agora você não só organiza virtualemnte aquelas coisas que você gosta, você pega, aponta e anuncia para o mundo. Isso deixa as coisas muito mais fáceis pra todo mundo, inclusive para o mundo que não para e continua girando.


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