1) nos testes de internet sobre cérebro masculino/feminino, meu resultado é sempre: homem.
2) em lugares random, gosto de imaginar uma situação de acidente/tragédia e sempre me pergunto qual seria a melhor maneira de escapar com vida, do tipo: se o elevador despencar do último andar, devo me abaixar/pular? se eu estiver dentro de um avião em queda livre, qual a hora certa de pular no oceano? a conclusão é sempre a mesma: deveria ter assistido às aulas de física.
3) assuntos "corta a vibe": direito, "e os namorados? rs", seriados americanos(não vi lost, não vi one tree hill, não vi the OC e, caralho, não vi friends tanto assim a ponto de lembrar de episódios específicos). ah, e direito.
4) ganhei meu primeiro computador em 1995. com windows 95, repartido em uns 10 disquetes. com a chegada da internet, virou um antro de vírus de dar inveja aos computadores dos laboratórios da ufsc. aliás, não fazem mais vírus legais como antigamente: ver o drive de cd abrir e fechar sozinho e impressora ligar e desligar sozinha era muito legal.
5) já dormi por 21 ou 23 horas ininterruptas uma vez. repito feitos parecidos pelo menos uma vez por mês, mas nesse caso em especial as pessoas de casa devem ter verificado meus sinais vitais só pra garantir.
6) os itens 4 e 5 nos fazem concluir, portanto, que nos últimos 15 anos, se for descontar o tempo em que passei dormindo ou olhando para uma tela de computador, devo ter vivido por uns 3 meses.
7) minha referência de efeito de inflação do Real é o kinder ovo
8) não gosto de pisar em riscos no chão, tipo divisões do piso. coloco no modo very hard quando começo a criar ângulos e novos riscos invisíveis para desviar.
BONUS: meu notebook deixa de receber sinal wi-fi quando a porta do meu armário está aberta.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Um dia em minha vida parte 2394734
- O do livro?
- O do livro.
- Deixa eu olhar aqui.
Ai eu olho, do login duas vezes no sistema acadêmico porque o chrome ta bugado e vejo a nota.
- Nove.
- Porra, que foda todo mundo tirou 6 ou 7 acho que a tua é a maior nota da sala.
Muito obrigado. Não li o livro. Isso é o maior elogio que poderia receber de qualquer coisa relativa a essa matéria.
- Legal, nem li o livro.
E faço questão de dizer isso. Porque eu posso me fuder em todo o resto, mas nisso eu tenho prazer de anunciar aos quatro cantos: não li, você leu; enrolei, você leu; não sei do que diabos aquilo falava, você discutiu na sala de aula com colegas e o professor sobre o assunto.
- Random shit (x8) como você faz isso? (x3)
Não importa, eu reprovei. Por 3 faltas. Me fodi de novo, a não ser que eu consiga meter um blefe épico no email para um professor. Mas, por enquanto, é isso. Chutei prova, chutei prova, entreguei o trabalho antes do prazo e tirei a melhor nota da sala, mas rodei porque algum idiota acha que é pré-requisito para o estudo, aprendizado, e crescimento intelectual a presença na sala de aula, mesmo que você mais aprenda lendo livros do que sentando para ouvir um imbecil em uma sala de aula.
É por essas e por outras que eu acho que precisamos de um Batman na nossa sociedade.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Tempo livre
Assim, se você tivesse o tempo livre, e vamos considerar ai o tempo livre como QUALQUER período de tempo que você não realize as atividades básicas da vida: dormir, estudar (dirigir-se a faculdade, e não pegar nos livros), comer e ir ao banheiro, então considerando essa hipótese qual desses livros você escolheria para ler no seu tempo livre?
FUNDAMENTOS DE DIREITO PÚBLICO
- SINOPSE: A importância capital desta obra, que é uma verdadeira introdução e uma teoria geral do Direito Público, imprescindível para a compreensão deste ramo da Ciência Jurídica. Escrito de forma clara e didática, como pontos de uma cadeira já implantada na Faculdade de Direito da PUC-São Paulo, é um livro que se lê com proveito e prazer, tanto pelo seu conteúdo como pela agradável forma de exposição.
ou
NEUROMANCER
Considerado um dos 100 maiores romances da língua inglesa no último século, N- PONTO. Precisa mais?
Agora entendam meu dilema.
E eu sei que já li Neuromancer, e que não li Fundamentos do whatever mas afinal esse é um posto sobre o que você faz no seu tempo livre e o que fazendo com ele vai mudar significantemente a sua vida.
É
Bom, como isso precisava ser atualizado cá estou eu escrevendo.
Ontem fui dormir as 21h e acordei as 6h. As 7h sai pra dar uma caminhada e me vieram duas novas ideias para histórias. Não perguntem qual é, pq eu conseguiria apenas sinopseá-las em duas linhas e qualquer sinopse de duas linhas fica um lixo, tipo: "Garoto descobre ser o Escolhido e tem de combater o poderoso império do mal que domina a galáxia".
Isso, em duas linhas, é a sinopse de uma das maiores histórias da nossa cultura contemporânea. Eu não sou Hemingway e não conseguiria contar uma história com tão poucas palavras, apesar de já ter tentado com o João sem-braços. Na real, poucas pessoas são como o Hemingway e conseguem contar uma história com sete palavras, mas isso não quer dizer que são menos fodas que ele.
Para finalizar, aqui vão alguns fatos, curiosamente sete, como as palavras da história de Hemingway:
1. Você está lendo os fatos.
3. Você não percebeu que eu pulei o nº 2.
4. Você checou isso agora mesmo, e está sorrindo.
5. Você ainda está lendo os fatos.
6. Você sabe que tudo aqui escrito é verdade.
8. Você não percebeu que eu pulei o nº 7.
9. Você achou isso tosco, o que é bem verdade.
3. Você não percebeu que eu pulei o nº 2.
4. Você checou isso agora mesmo, e está sorrindo.
5. Você ainda está lendo os fatos.
6. Você sabe que tudo aqui escrito é verdade.
8. Você não percebeu que eu pulei o nº 7.
9. Você achou isso tosco, o que é bem verdade.
domingo, 22 de agosto de 2010
Divagações sobre a ditadura, patriotismo e economia mundial.
Que saudades da ditadura!
Há 25 anos atrás, seria impensável uma frase dessas por parte da população. Eu não era nascida na época da ditadura, não me lembro de nada muito relevante das aulas de história, também, além de saber que HOUVE uma ditadura, advinda de um golpe militar, os presidentes foram tais, AI-5, de repente galere pediu Diretas Já e o Tancredo assumiu (e morreu). Isso era informação suficiente pra ficar com uma média 8,0 em história no 2º ano. Pra ter média 10, era bom lembrar das datas. Nunca nenhum professor se deu ao trabalho de explicar o PORQUE disso tudo. Só dizia que a ditadura era má e Diretas Já era um movimento popular heróico, o Brasil venceu, livramos eles dos vilões, e agora apenas aquele político eleito pelo povo, soberano, é que seria o legítimo chefes do executivo.
Calma. Eu não sou a favor de ditadura alguma. Ditadura é uma merda em qualquer lugar. Até quando a sua mãe é ditadora você já fica nervoso(a), imagina um chefe de Estado controlando a sua vida. O ponto é outro: é onde CHEGAMOS. Os militares ao menos eram patriotas e, ao final da sua vida, morreram muitas vezes até pobres. Política hoje: até vereador tem uma bela aposentadoria VITALÍCIA após os seus 4 anos no legislativo, propondo um ou duas leis municipais, se muito. Isso quando comparecem. Claro, quem definiu os salários e dias de trabalho foram eles mesmos. Olha, estou falando de um simples vereador de uma cidadezinha qualquer, em um estado qualquer. Imagine outros cargos.
Os militares assumiram o poder sob o pretexto da ameaça do COMUNISMO(oi, Fidel), em um ato de defesa da nação. Perguntei agora para a minha mãe se ela lembra de alguma coisa dessa época, se ela se fudeu mais ou menos com isso. Disse que era normal, não via diferença no cotidiano. Lembrou, no máximo, que um tio foi preso quando escreveu um artigo “suspeito” no jornal local. E que alguns políticos sumiram... É, a ditadura é uma merda.
Mas os militares eram patriotas. General Castelo Branco deve se revirar no túmulo enquanto os malditos neoliberalistas criminosos americanos e japoneses roubam e criam patentes de substancias da nossa própria Amazônia, ou quando estatizam a Petrobras sediada em outro país sem qualquer indenização a nós. Dia desses, ouvi falar que o Brasil não pode exportar açaí porque sei lá que país é detentor dos direitos. Headshot nesses filhos da mãe.
Antes que me perguntem: os termos são coincidentes, eu não odeio o liberalismo, liberdade econômica, no caso, tampouco sou patriota. Enéas era. Ríamos quando o eterno candidato a presidente pelo PRONA, o único partido com legenda de sonoridade legal, defendia a bomba atômica brasileira. Hoje entendo a mensagem que o falecido deputado mais votado da história desejava passar: “Respeitem o Brasil. Eu tenho uma bomba e não pretendo explodi-la no seu país. Mas se vierem me roubar, mudo de idéia, filho da puta”.
Afinal, o que uma coisa tem a ver com a outra? Liberalismo = direita, mas liberdade não é o contrário de ditadura? –Q? Não. Liberalismo = estado mínimo, mas o oposto de comunismo, a esquerda econômica, portanto, "direita". Ditadura: direita social, conservadora, economia whatever(se esquerdista, estado máximo = Cuba, e em menor grau, o próprio regime militar brasileiro). Entenda Estado Mínimo como o país sendo responsável apenas pelo provimento de suas funções mais básicas, sem grandes intromissões na economia e nos costumes. E tem a Anarquia, conceito popularmente ainda mais anarquizado que o seu próprio significado original. Mas esse fica pro próximo. A World War III imaginária, também.
Há 25 anos atrás, seria impensável uma frase dessas por parte da população. Eu não era nascida na época da ditadura, não me lembro de nada muito relevante das aulas de história, também, além de saber que HOUVE uma ditadura, advinda de um golpe militar, os presidentes foram tais, AI-5, de repente galere pediu Diretas Já e o Tancredo assumiu (e morreu). Isso era informação suficiente pra ficar com uma média 8,0 em história no 2º ano. Pra ter média 10, era bom lembrar das datas. Nunca nenhum professor se deu ao trabalho de explicar o PORQUE disso tudo. Só dizia que a ditadura era má e Diretas Já era um movimento popular heróico, o Brasil venceu, livramos eles dos vilões, e agora apenas aquele político eleito pelo povo, soberano, é que seria o legítimo chefes do executivo.
Calma. Eu não sou a favor de ditadura alguma. Ditadura é uma merda em qualquer lugar. Até quando a sua mãe é ditadora você já fica nervoso(a), imagina um chefe de Estado controlando a sua vida. O ponto é outro: é onde CHEGAMOS. Os militares ao menos eram patriotas e, ao final da sua vida, morreram muitas vezes até pobres. Política hoje: até vereador tem uma bela aposentadoria VITALÍCIA após os seus 4 anos no legislativo, propondo um ou duas leis municipais, se muito. Isso quando comparecem. Claro, quem definiu os salários e dias de trabalho foram eles mesmos. Olha, estou falando de um simples vereador de uma cidadezinha qualquer, em um estado qualquer. Imagine outros cargos.
Os militares assumiram o poder sob o pretexto da ameaça do COMUNISMO(oi, Fidel), em um ato de defesa da nação. Perguntei agora para a minha mãe se ela lembra de alguma coisa dessa época, se ela se fudeu mais ou menos com isso. Disse que era normal, não via diferença no cotidiano. Lembrou, no máximo, que um tio foi preso quando escreveu um artigo “suspeito” no jornal local. E que alguns políticos sumiram... É, a ditadura é uma merda.
Mas os militares eram patriotas. General Castelo Branco deve se revirar no túmulo enquanto os malditos neoliberalistas criminosos americanos e japoneses roubam e criam patentes de substancias da nossa própria Amazônia, ou quando estatizam a Petrobras sediada em outro país sem qualquer indenização a nós. Dia desses, ouvi falar que o Brasil não pode exportar açaí porque sei lá que país é detentor dos direitos. Headshot nesses filhos da mãe.
Antes que me perguntem: os termos são coincidentes, eu não odeio o liberalismo, liberdade econômica, no caso, tampouco sou patriota. Enéas era. Ríamos quando o eterno candidato a presidente pelo PRONA, o único partido com legenda de sonoridade legal, defendia a bomba atômica brasileira. Hoje entendo a mensagem que o falecido deputado mais votado da história desejava passar: “Respeitem o Brasil. Eu tenho uma bomba e não pretendo explodi-la no seu país. Mas se vierem me roubar, mudo de idéia, filho da puta”.
Afinal, o que uma coisa tem a ver com a outra? Liberalismo = direita, mas liberdade não é o contrário de ditadura? –Q? Não. Liberalismo = estado mínimo, mas o oposto de comunismo, a esquerda econômica, portanto, "direita". Ditadura: direita social, conservadora, economia whatever(se esquerdista, estado máximo = Cuba, e em menor grau, o próprio regime militar brasileiro). Entenda Estado Mínimo como o país sendo responsável apenas pelo provimento de suas funções mais básicas, sem grandes intromissões na economia e nos costumes. E tem a Anarquia, conceito popularmente ainda mais anarquizado que o seu próprio significado original. Mas esse fica pro próximo. A World War III imaginária, também.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Tiro de advertência
Você tem três minutos para decidir se Mercenários (Expendables – 2010) é um bom filme ou não. No terceiro minuto de filme, Gunner (Dolph Lundgreen – Rocky 4) avisa que vai dar um tiro de advertência.
O Tiro de Advertência de Lundgreen é na verdade um artifício de roteiro para Os Mercenários. Ele é um tipo de artifício muito usado no cinema, embora poucas vezes utilizado na maneira como em Mercenários. O Tiro de Advertência no filme dirigido por Stallone na verdade é um momento crucial para testar o elo que o espectador tem e terá com o filme. Se você não gosta do Tiro, se por algum motivo pessoal ou estético aquilo não lhe agrada, saia do cinema, desligue o DVD (se estivermos 3 meses no futuro), ou clique no X e delete o filme do HD, pois, se você não entende a magia do Tiro de Advertência, Mercenários não é um filme para você.
Stallone é um cara gente boa, ao contrário do que a putinha paga da Globo anda falando por aí, ao contrário que o sua amiga com PC do Milhão ou Pecê Positivo vem xingando muito no Twitter. E Stallone é um cara gente boa porque ele aos 3 minutos de filme te dá a chance de sair do cinema, mudar de sessão, pedir o dinheiro de volta, fazer biquinho ou então dar uma gargalhada altíssima e fazer você pensar consigo mesmo “caralho, era bem isso que eu queria ver”. E então você fica até o final da sessão.
Eu não vou dizer que é o melhor filme do ano, porque não é. Talvez, numa análise extremamente passional ele é. Eu não vou dizer que é o melhor filme da década, porque também não é. Muito menos ele é o melhor filme do Stallone. Ou do Arnold. Ou do Li. Ou do Statham. Ou Crews, Willis, Rourke, Coulture, Austin, Roberts e por aí vai.
Não é melhor que Rambo, Rocky ou Demolidor. Não é melhor que Exterminador do Futuro 2, True Lies, Predador ou Comando Para Matar. Não é melhor que Duro de Matar.
Mas isso não impede do filme ser divertido. E isso ele é. Isso mermão, não tem como negar. Ele é um filme divertido.
Esses dias eu defini A Origem – outro ótimo filme de 2010 – como aquele filme que você senta na cadeira do cinema, põe um punhado de pipoca na mão, toma um gole de coca e diz: “manda ver”. E o filme faz isso com você. Ele manda ver. Mostra uma orgia audiovisual na sua frente e tudo que você faz é sorrir para si mesmo e pensar que fazia tempo, muito tempo que o cinema não lhe agraciava como coisa parecida. Só lembro de Matrix e Clube da Luta. Onze anos.
Mercenários é parecido, ainda que num menor nível. Ao invés de Origem, que manda ver na sua frente e você sente que sai do cinema como se tivesse levado um tapa na cara – aqueles tapas não-ruins, que são bons por algum motivo ou por algum mesmo motivo são necessários–. Stallone consegue fazer o mesmo, de maneira bem menos genial, ou quem sou eu para definir o que é genial ou não? Aquilo, numa ótica e numa perspectiva bem singela e única, é também genial.
Continuando. Stallone faz o mesmo. Senta na cadeira, punhado de pipoca, coca-cola (se você for TRUE leva cerveja pro cinema), diz “manda ver” e daí pra frente é só TAPA NA CARA.
Só que o tapa na cara de Stallone não é o mesmo de A Origem. O Tapa Na Cara de Stallone não é um tapa, e nem é um, são vários, e são SOCOS, e não são direcionados ao Espectador, porque esse não vai no cinema ou aluga um DVD daqueles mestres para levar tapa na cara. Vai ou aluga porque quer ver tapa na cara. Soco na cara. Chute na cara. Explosão na cara.
E isso, Stallone faz.
Técnica, roteiro, arte. Pra quê?
Pra quê isso? Porque não uma vez nesse ano sentar na poltrona do cinema e ver algo que mostra nossos mais puros instintos de animalidade plus explosões?
Tiros, explosões, frases engraçadas, tiros, explosões, frases engraçadas, uma tentativa de rima péssima de Statham, mas divertidíssima na ótica de alguém que já saiu pra beber com os amigos e tentou se aventurar da mesma maneira; explosões, tiros, explosões, frases feitas, explosões. Durante uma hora e meia.
“A única coisa mais rápida..” “É a luz, eu sei”
“Você é um cara legal, vou te apresentar a minha namoradinha. Essa é Omaya. Omaya KABOOM”
“250 tiros por minuto. 250. Tiros. Por minuto.”
“Vou dar um tiro de advertência”
“TIRO DE ADVERTÊNCIA!!!!11one!”
“O que o Gunner está fazendo?” “Enforcando um pirata” “Não, ele não pode estar fazendo isso. Gunner, o que você está fazendo?” “Enforcando um pirata!”
Quer mais? FODA-SE.
O Tiro de Advertência de Lundgreen é na verdade um artifício de roteiro para Os Mercenários. Ele é um tipo de artifício muito usado no cinema, embora poucas vezes utilizado na maneira como em Mercenários. O Tiro de Advertência no filme dirigido por Stallone na verdade é um momento crucial para testar o elo que o espectador tem e terá com o filme. Se você não gosta do Tiro, se por algum motivo pessoal ou estético aquilo não lhe agrada, saia do cinema, desligue o DVD (se estivermos 3 meses no futuro), ou clique no X e delete o filme do HD, pois, se você não entende a magia do Tiro de Advertência, Mercenários não é um filme para você.
Stallone é um cara gente boa, ao contrário do que a putinha paga da Globo anda falando por aí, ao contrário que o sua amiga com PC do Milhão ou Pecê Positivo vem xingando muito no Twitter. E Stallone é um cara gente boa porque ele aos 3 minutos de filme te dá a chance de sair do cinema, mudar de sessão, pedir o dinheiro de volta, fazer biquinho ou então dar uma gargalhada altíssima e fazer você pensar consigo mesmo “caralho, era bem isso que eu queria ver”. E então você fica até o final da sessão.
Eu não vou dizer que é o melhor filme do ano, porque não é. Talvez, numa análise extremamente passional ele é. Eu não vou dizer que é o melhor filme da década, porque também não é. Muito menos ele é o melhor filme do Stallone. Ou do Arnold. Ou do Li. Ou do Statham. Ou Crews, Willis, Rourke, Coulture, Austin, Roberts e por aí vai.
Não é melhor que Rambo, Rocky ou Demolidor. Não é melhor que Exterminador do Futuro 2, True Lies, Predador ou Comando Para Matar. Não é melhor que Duro de Matar.
Mas isso não impede do filme ser divertido. E isso ele é. Isso mermão, não tem como negar. Ele é um filme divertido.
Esses dias eu defini A Origem – outro ótimo filme de 2010 – como aquele filme que você senta na cadeira do cinema, põe um punhado de pipoca na mão, toma um gole de coca e diz: “manda ver”. E o filme faz isso com você. Ele manda ver. Mostra uma orgia audiovisual na sua frente e tudo que você faz é sorrir para si mesmo e pensar que fazia tempo, muito tempo que o cinema não lhe agraciava como coisa parecida. Só lembro de Matrix e Clube da Luta. Onze anos.
Mercenários é parecido, ainda que num menor nível. Ao invés de Origem, que manda ver na sua frente e você sente que sai do cinema como se tivesse levado um tapa na cara – aqueles tapas não-ruins, que são bons por algum motivo ou por algum mesmo motivo são necessários–. Stallone consegue fazer o mesmo, de maneira bem menos genial, ou quem sou eu para definir o que é genial ou não? Aquilo, numa ótica e numa perspectiva bem singela e única, é também genial.
Continuando. Stallone faz o mesmo. Senta na cadeira, punhado de pipoca, coca-cola (se você for TRUE leva cerveja pro cinema), diz “manda ver” e daí pra frente é só TAPA NA CARA.
Só que o tapa na cara de Stallone não é o mesmo de A Origem. O Tapa Na Cara de Stallone não é um tapa, e nem é um, são vários, e são SOCOS, e não são direcionados ao Espectador, porque esse não vai no cinema ou aluga um DVD daqueles mestres para levar tapa na cara. Vai ou aluga porque quer ver tapa na cara. Soco na cara. Chute na cara. Explosão na cara.
E isso, Stallone faz.
Técnica, roteiro, arte. Pra quê?
Pra quê isso? Porque não uma vez nesse ano sentar na poltrona do cinema e ver algo que mostra nossos mais puros instintos de animalidade plus explosões?
Tiros, explosões, frases engraçadas, tiros, explosões, frases engraçadas, uma tentativa de rima péssima de Statham, mas divertidíssima na ótica de alguém que já saiu pra beber com os amigos e tentou se aventurar da mesma maneira; explosões, tiros, explosões, frases feitas, explosões. Durante uma hora e meia.
“A única coisa mais rápida..” “É a luz, eu sei”
“Você é um cara legal, vou te apresentar a minha namoradinha. Essa é Omaya. Omaya KABOOM”
“250 tiros por minuto. 250. Tiros. Por minuto.”
“Vou dar um tiro de advertência”
“TIRO DE ADVERTÊNCIA!!!!11one!”
“O que o Gunner está fazendo?” “Enforcando um pirata” “Não, ele não pode estar fazendo isso. Gunner, o que você está fazendo?” “Enforcando um pirata!”
Quer mais? FODA-SE.
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