sábado, 3 de outubro de 2009

cold ice motherfucker

Aprendemos até, aproximadamente, o primeiro ou segundo ano do ensino médio, que existe calor e frio. Quem disse isso foram nossos pais, amigos, avós, tias professoras, tias tias, professoras de ginásio, aquele único professor do ginásio que você teve.

E nós, por conta própria, aprendemos que existe calor e por conseguinte, existe frio. Tipo, um é a contraposição do outro. Maniqueísmo-like. A-Z, 0-9, vermelho e azul. Um existe para validar a existência do outro. E foram muitas repetições de existência nesse parágrafo, eu sei.

Mas elas vão acabar. E porque chegamos no ensino médio. Que é quando chega um filho da puta de um professor de física e diz que frio não existe, que estávamos errados, fomos ensinados errados, somos burros, e que o que existe é a ausência de calor. Aí, nos dias que seguem, você não pode mais falar que sente frio ou coisas parecidas. Você acorda as 6 da manhã em um inverno, pega um casaco, não é o bastante, pensa consigo mesmo. Pega outro. E mais outro. Pronto, pode sair e pegar um busão pra aula. Talvez você tenha sorte e vá de carro. Ai, chegando no colégio, aproximando-se da rodinha de amigos, abrindo e tomando seu próprio espaço até que enfim, você entra na roda ao lado de Zé e Jão. Eles se viram pra você e dizem: "frio hoje, não". Você assente.

Ai chega um filho da puta e fala: "Frio não existe. É a ausência de calor". Ai você manda esse amigo tomar no cu. Duas vezes. Pq você não pode falar isso para o professor de física.

Eu digo que os dois estavam errados. Os dois filhos de suas respectivas mães-putas. Porque frio existe sim, força de expressão ou não, vício de linguagem ou não. E eu digo isso com a maior autoridade, pois, recentemente, presenciei não a transferência de calor de um corpo para o outro, mas sim a transferência de frio do nada para um corpo. É um tipo de sensação interessante, que eu pensei que teria antes de pular de paraquedas, mas lá eu só fiquei com um sorriso retardado. Eu queria estar com um sorriso retardado quando li aquelas palavras. Na real, eu to rindo agora. Mas na hora fiquei branco. Eu comentei que senti naqueles exatos três segundos que sucederam a frase um frio se alojar dentro de mim e forçar um e apenas um pensamento. Um pensamento brasileiríssimo, e talvez, universal. Mas explicado com uma expressão em inglês.

WTF
W-T-F
WHAT THE FUCK

O tempo que você levou pra ler essas linhas foi o mesmo que eu tive para reprocessar três vezes a informação. Como quando pulei de 4000 pés de altura, um segundo virou um minuto ou mais. Só que diferente do pulo, não pensei em mil coisas ao mesmo tempo, quanto mais cheguei à conclusões. Cheguei a uma dúvida.

Cara, isso não se faz. Isso definitivamente não se faz.

Lésbicas só são legais na ficção.

Encerro com uma obra FICCIONAL que só a internet poderia nos proporcionar:

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