Outro dia me perguntaram sobre a genealogia das idéias, de onde elas vêm, como elas vêm, para onde vão e o que se tornam. Não explicaram o que era, apesar de tentarem. Deram sua própria interpretação. Que eu não gostei, mas também não contestei. Não sei se Genealogia serve para idéias, não sei nem como elas se formam, mas depois me perguntaram sobre, novamente, dessa vez um amigo que também não tinha entendido. Eu respondi usando referências, explicando o meu entendimento do que seria Genealogia das Idéias, o que, ao meu ver, também está certo, e que passarei a adotar a partir de então, até que alguém com 30 anos de experiência na área e que tenha escrito um livro venha me corrigir. Bom, eu ainda terei de considerar se o que essa pessoa falou é válido, se a experiência dela é válida, se a porra de 30 anos e um livro é válida. Creio, nesse momento, que não. Então se foda.
Eu dei o exemplo de Jack. Jack é um conceito de personagem que criei. Coincidentemente, Jack já existia antes. Mais coincidência ainda, Jack Conceito possuía o mesmo nome. Eram mais de uma Jack. A primeira, veio em Eclipse Total, melhor filme da saga de Riddick e possivelmente um dos melhores do Vin Diesel. Jack, no filme, era uma menina que se passava por menino, não lembro mais o motivo. Usava roupas de homem, conversava como um, tinha os trejeitos. A única coisa que fazia você desconfiar é que Jack tinha um rosto muito delicado para um menino, e por aparentar uns 14 ou 15 anos, a sua voz já não podia estar desafinando constantemente. A voz de Jack parecia de menina. Não obstante, Jack corta o cabelo – totalmente. Ela raspa, para parecer ainda mais um homem. Jack acaba se tornando um dos principais personagens, e um dos plot twists da trama. Jack, por querer parecer um homem, mas na verdade ser mulher, acaba fudendo com a coisa toda. Fode com o plano dos personagens, fode com o protagonista, é o motivo da morte de uma penca de gente, mesmo sem ter a intenção. Jack depois cresce, vira adulta, amadurece, morre, vira Kira. E Kira morre, mas morre fodásticamente. A morte dela faz ruir um Império. Ela vai, mas leva uma raça junto. Jack quer ser homem, Jack vira Kira, Kira cresce, Kira morre morte de homem médio. Morre como herói, porque nunca se permitiu ser heroína.
A segunda Jack, aparentemente uma homenagem à primeira, também tem o cabelo raspado, mas não quer ser homem. Pelo contrário. Ela é absolutamente movida por instintos. Instintos que foram instigados, acorrentados e depois açoitados durante muito tempo. A Segunda Jack é uma máquina de matar. Ela só quer matar, é para isso que ela foi criada. Ela nasceu normal, mas foi roubada e cresceu em laboratório. Essa Jack é produto do meio, e não produto das escolhas como a primeira. Essa Jack se achava foda e forte – e era, mas não tanto quanto pensava – porque sobreviveu aos experimentos que realizaram nela. Ela achava que tinha sido a mais forte, e por isso sobreviveu. Na verdade, dentre os outros espécimes de laboratório, ela foi a mais preservada. Outros tantos morreram e sofreram muito mais do que ela para que aquela Jack pudesse se tornar o que acabou se tornando. No final, caso o espectador tente fazer Jack enxergar por outro lado, ela acaba mudando para melhor. Ela continua foda, extremamente foda, mas se torna um pouco mais humana, ela vê em Shepard um modelo (ou uma modelo) para seguir, para encontrar sua redenção. Se depender de mim, ela vai encontrar sua redenção na terceira parte da série. Mas vai continuar foda, e do bem.
No fim, as duas Jacks acabam se tornando do bem. Moralmente integras. Paragon. Light Side. Essas coisas. A terceira Jack, por outro lado, não. A Terceira é minha criação, eu tenho o poder de mudá-la como bem querer, fazer ela seguir os caminhos que eu achar melhores. Eu quero uma Jack mulher, e não mulher-homem, quero uma Jack de cabelo raspado e tatuagens, mas com roupas um pouco mais recatadas e sérias, quero uma Jack com tatuagem no rosto, com uma expressividade com o corpo, quero uma Jack com uma moralidade absolutamente questionável. Jack não vai matar por matar, vai matar porque acha certo, porque acha que aquela pessoa, responsável por quaisquer sejam os seus atos, merece morrer. Ela vai ser a síntese da opinião da sociedade. Vai deixar viver quem merece viver, vai matar quem merece morrer. Jack não vai deixar de matar por receio de se rebaixar ao nível de sua vítima, pois ela não precisa se preocupar com isso, ela sabe que está acima de todos eles. Jack infringe a lei, a lei que para ela não vale nada, porque há coisas maiores que a lei, coisas que ficam acima da lei. Jack não fica acima da lei, e ela sabe disso. Ela só ignora. Jack vai julgar, vai ser juíza, vai definir, defender, destruir, prevalecer. Jack Três, como a segunda, é também um experimento. Um experimento para Jan. Jack vai ser a segunda tentativa de Jan, porque não estou lá tão satisfeito com a primeira. Jack Terceira vai dar origem à Jan Segunda, e como as outras Jacks e Jans, elas vão anarquizar pra caralho. Jack vira Jackie, mais diminutivo, mais carinhoso, assim, é. Pá.

Jackie. Um carro pegando fogo. Jackie tem uma arma, Jackie vai explodir um carro. É um Ford Mustang. Aquele. Pena. Mas Jackie é Jackie, ela pode explodir um Mustang.
Onde devo usar Jackie?


Nenhum comentário:
Postar um comentário