quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ficha Limpa


Ao contrário do meu último post, não sabia por onde começar esse aqui. Tanto é que esqueci o bloco de notas minimizado várias vezes.

Não é sobre Big Brother mas é sobre voto.

A única coisa que não tive dúvidas nem hesitei momento algum foi na escolha da foto ao lado.

Em poucos dias o projeto de Lei Ficha Limpa deve ser arquivado e as pessoas vão se revoltar, vão à televisão dizer que é um absurdo, que é mais uma vitória da corrupção e coisa e tal. Ou talvez elas nem vão à televisão, talvez elas já sejam da televisão e só vão comentar sobre isso.

Vão tudo tomar no cú sua cambada de cavalo repetentes.

O negócio é que ele tem que ser arquivado, que ele não pode passar. Porque essa merda é pura e simplesmente inconstitucional. E se é inconstitucional, tem alguma coisa errada.

E se você não gosta ou não aceita o fato dele ser inconstitucional, tome no cú e rape daqui. Argentina é do lado, Chile não é longe, Morales é uma pedida.

Imagine um robô gigante. Eles são feito de metal e são gigantes, logo, são pesados, grandes, pesam toneladas. Se eles pisam em alguma coisa, provavelmente fodem legal a parada, certo?

A não ser que essa parada seja um robô gigante também, ai não vai fuder tanto.

O problema é que o projeto de lei não é um robô gigante, é um carinha random faceless e não creditado. Logo, ele está bem propenso a morrer.

O simples ato de passar e aprovar o projeto de lei é um robô gigante. Quando, se, ele passar, o robô gigante entra em ação e pisa em cima do carinha random faceless, que como já foi explicado, é o próprio projeto de lei.

Abaixo do carinha random há um monte de merda. Esse monte de merda é a constitucionalidade. Dentro do monte de merda há maggots, vermes, moscas, larvas. Nós somos esses.

Então, quando o robô gigante, que é a inconstitucionalidade, pisar em cima do projeto de lei, ele leva junto nós, merda, inconstitucionalidade, e ainda arromba legal com o chão.

Ele nos reduz à nada, e apesar de nós já estarmos bem fudidos, já que estamos dentro da merda, ainda assim ser reduzido à nada é bem ruim.

Mas porque o robô gigante é inconstitucional?

Por que ele é um ataque direto à princípios constitucionais que regem a nossa nação. É, alguma coisa ainda rege a nossa nação. Sério. É um pedaço de papel chamado Constituição Federal de 1988, que hora ou outra, é usada pra ajuntar a merda.

Um desses princípios é o da presunção da inocência. E, queiram ou não, trânsito julgado com condenação em primeiro grau ainda vale a presunção da inocência.

Como assim? Transito julgado? Primeiro Grau? Presunção da inocência em trânsito julgado em primeiro grau ainda que já julgado?

Trânsito em julgado, condenação em primeiro grau, e ainda valendo a presunção da inocência pode facilmente simplificado com: Terminou o primeiro tempo e você tá perdendo de um a zero.


Ainda tem o segundo. E pode acontecer coisa pra caralho no segundo tempo. Jogos se ganham no segundo tempo, campeonatos se decidem, Copas do Mundo se decidem no Segundo Tempo. As vezes nos segundos finais. Batalhas de robôs gigantes se decidem nos segundos finais também.

O que fode é que esse projeto de lei abre a possibilidade de terminar o jogo no primeiro tempo. E nós, brasileiros, nação do futebol, sabemos que jogos não terminam no primeiro tempo.

Eu lembro de uma vez que o Vasco entrou no segundo tempo perdendo de três para o Palmeiras e nos últimos 30 minutos de jogo fez quatro gols. Virou e ganhou.

A gente sabe que isso acontece, por mais que evite pensar que um político pode dominar o jogo, driblar, fazer dois e virar o jogo, porque nós já partimos da presunção que eles estão sempre errados, que estão sempre roubando.

É, acontece. E acontece na maioria das vezes. Mas não é sempre. E nem é esse o problema. O que fode, de novo, mais uma vez, é que se um projeto de lei faz você pisar em cima da presunção da inocência de POLÍTICOS, OS SERES DO UNIVERSO COM MAIS CHANCES DE NÃO SE FUDER NO CARALHO DE UM PROCESSO JUDICIAL, imagina o que aconteceria com o resto de nós, com o brasileiro médio?

Essa porra pode iniciar um fascismo do caralho, ainda que aos poucos, à passos módicos e baianos. Jogar no lixo a presunção da inocência de uma pessoa é o segundo passo para um regime totalitário da porra. O primeiro é acabar com a liberdade de expressão. Freedom of Speech. Free Will.

Se você manda um político se fuder, se a justiça manda um político se fuder e ignora os direitos deles, caralho, não quero nem ver o que aconteceria com os manos que roubam pão e margarina.

Imagine um regime totlitário fascista do caralho de um robô gigante.

É exagero, eu sei. Mas é uma possibilidade. Eu não quero isso.

O outro ponto que me preocupa é que esse robo gigante impediria que a putada toda que tem problemas com a justiça possa se candidatar.

Ou seja, uma galera.

É, de certa forma, um /renew na política nacional. E essa é uma das principais bandeiras da parada. E eu concordo que isso é legal, sério. Uma renovação geral. O problema é que se isso acontecer, deve ser planejado. Mas por quais motivos isso deve ser pensado e planejado? Dou-lhes apenas um, de tantos motivos:

O que acontece se essa galera fica impedida de se candidatar? Quem vai ocupar o seu lugar? Quem, na sociedade brasileira, são hierarquicamente os entes mais importantes na formação do caráter e manutenção da liberdade de brasilidade dos brasileiros?

Os artistas.

Sacou porque essa merda é inconstitucional? Sacou o meu medo?

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