segunda-feira, 26 de julho de 2010

Dawkins, Campbell e Abreu


Duas das obras literárias mais fantásticas que eu já li chamam-se, não em ordem de importância: O Gene Egoísta, de Richard Dawkins; e O Herói das Mil Faces, de Joseph Campbell. Junto deles, só consigo pensar agora em Cultura de Convergência e os trabalhos de ficção Neuromancer e O Arco Íris da Gravidade.

Esses são nesse exato momento, possivelmente os livros mais importantes que já li na vida, e que vieram a moldar o meu pensamento sobre o que foi o mundo e o que é o mundo, sobre o que foi a sociedade e sobre o que é a sociedade.

Não que isso importe alguma coisa.

Mas vou me concentrar nos dois primeiros e descartar os três últimos, novamente, não por causa de preferência ou por qualquer hierarquia de importância ou coisa parecida, mas porque simplesmente eles não se encaixariam na proposta desse texto. Talvez Cultura de Convergência se encaixasse um pouco, mas eu teria que andar muito até chegar nela.

Conheci O Gene Egoísta por intermédio de uma das mais absurdas situações, que jamais me acharia inclinado a procurar um livro. Foi uma entrevista, não sei para quem nem quando, que Hideo Kojima deu sobre a série Metal Gear Solid. Para quem não sabe, e não lhes culpo por isso, Kojima é uma das mentes mais brilhantes hoje no entretenimento interativo.

Ele, alias, é Mestre.

Kojima é como o Tarantino dos videogames, não pela escolha semelhante de temas, pois os dois se diferem consideravelmente nisso, mas no fato que é uma das mentes mais capazes e geniais ao trabalhar com referências. Quentin e Hideo são dois produtos de cultura pop e influenciados diretamente pelo lixo cultural de suas épocas, que como em todas as coisas, faz parte de um desenvolvimento cíclico de cultura: o que inicia o ciclo como lixo, depravado, dispensável e desprezível, torna-se ícone e ídolo no final dele.

Os dois conseguiram pegar o que era desprezado por crítica e mainstream em suas infâncias e adolescências, que durante juventude e inicio de vida adulta tornaram-se lixo acultural, e que com o reconhecimento de seus respectivos trabalhos tornou a conquistar seus lugares de primeira classe na produção cultural contemporânea.

Não cabe aqui como eles fizeram isso ou o que tornaram a trazer ao seio da cultura pop atual. Isso renderia outros vários posts.

Voltando ao Gene Egoísta, Kojima disse que o livro foi uma de suas maiores inspirações para a realização da série Metal Gear Solid, principalmente o homônimo primeiro jogo, e o segundo, Sons of Liberty. Os dois jogos foram concebidos com um tema principal cada um, sendo o tema do primeiro GENE, e o do segundo MEME. As sequências, Snake Eater e Guns of the Patriots ainda trabalhariam com dois novos conceitos: SCENE e SENSE.

Não será analisado aqui, por maior que seja a minha vontade, a influência e o funcionamento de cada tema em seu respectivo jogo, assim como não será analisado aqui o mesmo conteúdo em qualquer um dos livros já citados.

Será feito na verdade, uma comparação entre dois autores – como a feita acima – Dawkins e Campbell.

Não será comparado semelhança ou diferença entre os autores e suas obras. Acho.

Será comparado a influência que cada obra teve na cultura popular ocidental – e graças a Kojima, oriental – contemporânea.

Eu vou tentar me espelhar em Dawkins o máximo possível e não deixar minhas opiniões pessoais transpassarem para essas linhas escritas. Creio eu, terei sucesso.

Sobre o Herói das Mil Faces, livro o qual faltariam a mim palavras para enaltecer sua importância, posso dizer resumindo em poucas linhas que é um dos documentos mais importantes para a nossa história contemporânea.

É, assim mesmo, redundante. Um dos documentos mais importantes da nossa história contemporânea, se você considerar a área que explora a manutenção e criação de cultura e ficção.

O Herói das Mil Faces é um livro que fala sobre mitos, e numa perspectiva psicológica, analisa a SEMELHANÇA e o impacto que uma diversidade absurda de mitos e histórias tiveram na formação das civilizações ocidentais e orientais.


Joseph Campbell, um dos maiores gênios do século XX, pegou uma série de mitos de todas as partes do mundo e mostrou no que eles eram iguais. Campbell queria, mais do que tudo, mostrar que não devemos nos odiar por nossas diferenças, mas procurar o entendimento, a compreensão, união e o amor naquilo que nos torna semelhantes.

Se Campbell conseguiu ou não, só anos o bastante no futuro para que possamos olhar para trás e analisar se deu certo ou não é que vão nos responder. Já se passaram 61.

Em Herói, Campbell utiliza-se da estrutura ficcional e mitológica do Monomito. O monomito, também chamado de Jornada do Herói foi a estrutura utilizada para equalizar todas as histórias, contos, mitos e fábulas que Campbell analisou.

Através dos conceitos e partes que compõe a Jornada do Herói, é possível notar claramente essa série de semelhanças entre fábulas e mitos da humanidade, e principalmente, como esses influenciam – e influenciaram – as nossas vidas e a civilização.

Talvez Campbell tenha almejado outros fins para os impactos que a Herói das Mil Faces e sua Jornada teria naqueles que notavam sua existência, mas uma coisa é certa: o maior impacto que o Monomito teve na nossa sociedade, foi exatamente na parte que engloba a criação e estruturação da nossa cultura popular.

Mas aquela cultura popular, comum a todos, comum ao mundo.

A influência desse documento acadêmico é tanta, que a lista de obras ficcionais e de entretenimento que ele influenciou é gigantesca.

Exemplo?

Star Wars, um dos maiores fenômenos culturais da nossa recente história. E eu não estou exagerando. Star Wars é praticamente O exemplo vivo e que foi acompanhado por todos da criação de uma mitologia tão rica, fantástica e grande quanto um universo.

O próprio criador da galáxia tão, tão distante disse que sem O Herói de Mil Faces a história de Star Wars jamais existira.

Talvez o mais incrível da Jornada do Herói e do Monomito não é nem as histórias que se basearam nela para serem criados, e digo isso daquelas histórias em que seus autores pegaram o documento físico, leram, interpretaram e criaram, mas das histórias e mitos que foram criadas baseadas nele e que seus criadores não tinham a menor idéia de estarem seguindo esse roteiro específico.

E são eles que provam que essa unidade de informação está tão enraizada na nossa cultura.

Joseph Campbell, ao contrário de muitos, percebeu que sua obra talvez não tenha tido aquele impacto, aquele significado inicial que ele almejava. Mas ele viu por outro lado que essa mesma obra tinha alcançado um significado tão importante quanto.

Campbell percebeu que sua obra acabou por fazendo parte de um outro ciclo, aquele em que residem as idéias e as criações. E viu que assim ele também poderia atingir ao menos parte de seus objetivos primários, pois o ciclo de idéias e criações funciona junto ao ciclo da cultura, que incide naquele ciclo da sociedade.

Situação semelhante aconteceu com Richard Dawkins. Ele tinha um objetivo inicial e oficial com seu Gene Egoísta: provar a importância fundamental do gene na evolução da nossa e de todas as espécies.

Durante se não me engano dez capítulos, Dawkins conta de uma maneira incrivelmente interessante para um documento acadêmico, a importância desta unidade fundamental de vida – o Gene – dentro da história do mundo.

No início de um dos últimos capítulos, Dawkins introduz um novo conceito até então pouco explorado e não oficialmente nomeado pela ciência, o Meme. É passível de interpretação, que todos os dez ou seja lá quantos anteriores capítulos do livro que falavam do Gene, serviram só para dar embasamento para o conceito recém introduzido. Eu acho que até o próprio autor fala isso.

Explica-se Meme como unidade não biológica, mas extremamente semelhante e de igual funcionamento ao gene. O meme, na verdade é uma unidade de informação, unidade essa que faz parte de algo maior, a cultura, assim como gene faz parte de organismo.

O meme é na verdade uma das unidades com maior poder, maior influência, maior abrangência com que o mundo já se deparou. O meme tem a capacidade de surgir em qualquer lugar, dentro de um organismo humano, no cérebro, ou dentro da própria cultura, de uma maneira que pode ser completamente espontânea e imprevisível.

O meme pode ser mais perpétuo e durar mais que o gene, e também pode existir desde um período de tempo indeterminado até eternamente. Essa unidade convive dentro do cérebro humano, junto a informação produzida na sociedade, junto a cultura produzida e mantida na sociedade, junto às disposições e preceitos que compõe uma civilização. O meme pode caminhar livremente em cada um desses organismos, podendo obviamente, se propagar em um ou em cada um deles.

O que Dawkins quis mostrar é que algumas coisas, que julga ele serem alguns dos maiores problemas do mundo, são também meme. Esse foi o objetivo não oficial de Dawkins, e que não por isso deixava de ser o mais importante.

O maior problema de Dawkins, foi que as pessoas não viram aquilo da mesma maneira como viram Campbell e seu monomito. O impacto que o Monomito teve na sociedade de cultura pop foi tão absurdo que amenizou qualquer sentimento de derrota ou falha que seu autor pudesse sentir. A forma como o Monomito seria capaz de alcançar ao menos parte dos objetivos iniciais de Campbell também fizeram ele de alguma forma valer a pena.

O Meme, assim como o Gene, foi apenas visto como unidade primordial de algo e coisa mais genial já compartilhada dentro do seu próprio mundo, dentro do seu próprio universo. O Meme até que se difere um pouco, já que ele interessa a uma outra camada de produção cultural que é também extremamente abrangente, diferente do Gene que só importa para aqueles que acham que isso importa.

Aconteceu, que no fim, Campbell viu que sua obra ainda que interpretada de maneira diferente serviria pra alguma coisa de seus objetivos iniciais, e que sim, ela contribuía de uma maneira até inimaginável para ele na nossa civilização. Ele sabia da importância que os mitos tiveram na construção da nossa civilização, e viu, com o seu trabalho, a importância que eles ainda teriam por muito e muito tempo.

Dawkins, por outro lado, não viu impacto semelhante ser causado pela sua obra. Foi, na verdade, tão egoísta quanto seu gene. Incapaz de aceitar que falhou em seu objetivo não oficial, incapaz de reconhecer que nada lhe valia o reconhecimento de seu objetivo oficial, incapaz de ver a maravilha que sua concepção de unidade fundamental da informação traria para o mundo quando não atingindo aqueles que tinha de atingir, quando não atingindo seus objetivos verdadeiros.

É por isso que esse cara me envergonha tanto hora ou outra, aqui e ali.


domingo, 25 de julho de 2010

Divagações sobre tudo que eu lembrar, até o final de uma página do Word.

Ia escrever sobre psicopatia. Só que, enquanto pensava em como começar, passou na TV uma propaganda do OMO, com crianças se tacando na lama, metendo a mão em vasilhas cheias de calda de chocolate, entre todas as coisas que significam desespero para uma mãe. Aí lembrei que não quero ser mãe. E lembrei que não quero falar sobre mim mesma, ao menos nada que não seja interessante. Pensei em religiosidade, orgulho ateísta, quem acredita em deus é acomodado, burro, manipulável, não leu Maquiavel, mimimi. É engraçado porque essas pessoas são tão idiotas quanto aquelas a quem se referem nas suas ofensas, e na maioria das vezes, piores, pois muitos religiosos sequer tiveram a oportunidade de conhecimento, alguma abertura para se questionarem. Ressalto que me refiro apenas aos idiotas, aqueles que querem que ateus, judeus, budistas, vão tudo para o inferno. E isso me lembrou fãs adolescentes de Felipe Neto/PC Siqueira. Particularmente, gosto mais do segundo, é esse cara aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=YCMK2nelTUo

Mas quem ilustra melhor, mesmo, é esse aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=2Lp7XO6oWCM

Ou seja, é a alternativa para as adolescentes do “contra”, que diante de um discurso bem feito(pelos outros), resolve dizer que quem gosta de modinha adolescente é idiota, mas quer casar com o Felipe Neto. É a mesma coisa com os ateus raivosos. Só que eu aceito o que vem de adolescentes, pois todos nós fomos idiotas na adolescência.
Este assunto está diretamente relacionado a pré-conceitos. Estou vendo blogs de moda. Poderia estar lendo um livro. A moda é algo complexo demais, eu mesma demorei a entender o sentido dela. Conheço muitas opiniões: “é ridículo, só serve pra alienar mulheres e fazê-las gastarem dinheiro”; “a moda é a forma de nos expressarmos, posso chocar a sociedade ou sumir na multidão”. Percebi que estou em um blog de moda para não chocar a sociedade e estar na divisa entre “sumir na multidão” e “agradar a mim mesma e aos outros, pelo menos a maioria”, na questão crucial da humanidade sobre “qual casaco usar por cima de um vestido de festa de formatura”. Eu gostava mais de quando a minha vida se resolvia ao entrar em uma loja de surf, apenas. Não que eu não goste de me arrumar, claro, todo mundo gosta. Mas naquela época usar uma camiseta trash com um símbolo da Roxy, uma calça jeans e um tamanco plataforma parecia bonito pra mim e pros outros. É que não ter paciência pode soar como “moda é uma merda”. Não é isso que eu quero dizer, tanto é que tudo que mais queria neste momento é um personal stylist de plantão, na minha porta, com 10 sacolas de lojas diferentes, todos os dias, e com 50 alternativas prontas para serem escolhidas por mim. Não quero me comunicar com o mundo desta forma, embora seja uma proposta louvável. A moda é até importante, porque incentiva pesquisa de novos tecidos, talvez de fontes sustentáveis, ou mais confortáveis, entre outros benefícios a sociedade. Dar dinheiro pra a quadrilha da Daslu é o de menos, roupas até que são legais. E é uma pena que pessoas que estudem moda não sejam levadas a sério. Falei de mim, afinal. rs
A página do Word está terminando. Calibri (Body), Fonte 11, espaçamento 1,5, parágrafos separados por espaços. Informação para simples conferência a quem interessar, ou seja, dê ctrl c + ctrl v e surpreenda-se com a veracidade da informação. Desconte as margens. Fim.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

domingo, 11 de julho de 2010

Vida, o universo, e Copa do Mundo.

Cinquenta e seis dias atrás eu iniciei um documento que salvei na minha pasta de documentos, pois pensei que não era aquele o momento de escrevê-lo.

Esse documento fala sobre a Copa do Mundo. Eu inicio ele dizendo que faltavam, naquele exato momento em que ele começava a ser escrito, 25 dias, 1 hora e 39 minutos para o início da Copa. Eu digitei uns três parágrafos e falei sobre o futebol, a importância dele para o mundo e para o Brasil e como a nossa seleção é a única no mundo a usar a palavra “Seletos” para designar-se a si mesma. Falei também do porque aquilo era importante para a nossa seleção, e como aquilo impunha um respeito para nós mesmo e para os outros.

Eu deixei de lado o texto, pois achei que tinha mais o que falar, mas não sabia o que. Imaginei que nos dias que seguiam eu teria algum assunto, e até me vieram algumas coisas, mas acabei não escrevendo.

Não desenvolvi no início da copa, nem na metade, nem antes do primeiro jogo do Brasil e nem depois dele, e tão pouco no segundo, terceiro, quarto ou quinto. Nem antes nem depois de quatro deles. Nem antes de cinco.

Inevitavelmente, eu venho falar do depois do quinto jogo, pois, se em algum momento decidi falar sobre isso, foi depois. Então depois é depois, após, o contrário de antes, pois antes dele só imaginamos e predizemos, só fantasiamos e pouco pensamos na realidade. Não pensamos na verdade.

Ou pensamos e nem nos tocamos disso. Eu pensei. E até comentei sobre as verdades que apareceram, e elas apareceram antes do quinto jogo, e depois fui perceber, elas apareceram lá bem antes da Copa, meses antes. Um mês, ou 45 dias, ou algumas semanas.

Lá, bem lá longe, as verdades surgiram. Não foram as verdades do “tinha de levar esse, esse e esse” nem tão pouco “não podia levar esse e nem aquele”. A verdade que eu vi, e só depois percebi – durante a Copa – foi a verdade da mídia brasileira, e o quanto eu desprezo ela com o mais profundo desdém.

E quando percebi isso, passei a torcer mais. Torcer duas, três, quatro vezes mais. Eu torcia pelo título, pelo seis. Passei a torcer também por um cara, e depois por outro, e também por outro.

Torcia pelo Lúcio, e isso ficou claro desde o início do blog. Eu já falei sobre ele, fiz uma homenagem, dizendo que ele mereceu levantar a taça das Confederações, e que dias antes tinham criticado ele. Ai ele foi lá e calou a boca de todo mundo. Épico. Um ano depois, hoje, agora, a poucos dias e semanas, elogiaram ele. A mídia que eu desprezo, por acaso, compartilha de minha opinião, e também elogiou e continua elogiando ele. No entanto, ele não tem taça nenhuma pra levantar. Mudou muita coisa.

Eu torcia pela Seleção, e também torcia pelo Lúcio. Ele tinha que levantar aquela taça. Ele tinha que fazer milhões em todo o mundo engolirem seco oito anos de crítica. Isso lava a alma de qualquer ser humano. Mas, infelizmente, isso não aconteceu. Ele pode ainda fazer isso, e com mais epic win agregado, fazendo 12 anos de críticas descerem quadrado milhões de esôfagos adentro. Mas não sei se vai acontecer.

Lúcio é o dois. Seleção o um. Três e quatro vêm juntos, não pra economizar linhas, pois fodam-se elas, mas porque três e quatro explicados e relacionados juntos tem uma razão de ser.

Três e quatro são Dunga e Felipe Melo. Sim, eu torcia para eles. Do primeiro ao último dia, e ainda estou torcendo, e por mais triste que eu esteja, um resquício de esperança ainda me faz cultivar essa felicidade.

Dunga fez tudo certo. Yep, ele fez tudo certo. Não é que ele não tenha errado, ele até pode ter, mas isso é uma questão de perspectiva. Depende de qual ângulo subjetivo você vê isso. Dependendo da perspectiva, ele pode simplesmente ter deixado de acertar um pouco mais.

Ele fez tudo certo, tudo mesmo, e mais um pouco. Ele escrotizou a mídia brasileira, e ela merecia ser escrotizada. A mídia brasileira precisa entender que o poder deles sobre a informação na Era dela é mínimo.

A Informação, na era que ganhou o nome dela, mudou. Ela pode ainda ser produzida por pessoas, e isso nunca vai mudar. Mas ela possui uma nova característica, ela pode, diferente de todas as coisas, – ou, vá lá, considere exceções se quiser, e elas devem existir – gerar a si mesma. Espontaneamente.

Você tem de entender isso. Ou tudo bem, não precisa entender. Talvez esse conhecimento não influencie de nada a sua vida, como tantas outras coisas. Mas quem lida com a informação, bom, essas pessoas TEM de entender isso. Tem de aprender a respeitar esse novo fenômeno do universo, saber como ele age, o que ele fez, o que vai fazer. Tem de dar as mãos, dar um tapinha nas costas, ser amigo dele.

A única coisa que você não pode fazer, é manipulá-lo, pois isso, na era Dela, é impossível. E é isso que algumas pessoas tem de entender.

Essas pessoas, como muitas outras, não vão aprender isso por livre e espontânea vontade. Alguém precisa ensinar isso a elas.

E em toda a nossa história no mundo, que começa lá atrás em período indeterminado e vai até hoje – o aqui e o agora – nenhum outro momento foi mais propício para que isso acontecesse do que durante a Copa do Mundo. E a única pessoa que poderia ter feito isso eram na verdade duas: Dunga e Felipe Melo. Sério.

Isso aconteceria quando o Felipe Melo, aos cento e dezenove minutos e cinqüenta e três segundos da prorrogação, chutasse a bola numa distância de 38 metros do gol, acertasse o ângulo direito, e, até a quarta parte de seis que compreendem um segundo, o mundo, por inteiro, seria dominado pelo mais absoluto e completo silêncio.

Do final da quarta parte desse segundo, até o final da sexta, a informação seria gerada espontaneamente, e o mundo, apesar de tomado pelo mais ensurdecedor dos barulhos que na verdades é a junção tantos outros mais as vuvuzelas, ficaria, também, em silêncio. E ai algumas pessoas que não entendiam que a informação nasce, desenvolve, morre e nasce de novo... bem, eles entenderiam que ela faz tudo isso. Sem precisar deles.

Acontece que, infelizmente, ou felizmente, aquela freqüência determinada que o Universo atinge de quatro em quatro anos humanos, entre o sexto e o sétimo mês do calendário romano, e que propicia um horizonte de eventos absolutamente imprevisível, quis que essa possibilidade de realidade alternativa gerada de pensamentos ou ações não fosse a que regeria o nosso presente universo, a nossa presente realidade.

A nossa realidade e o nosso universo, no momento, são absolutamente diferentes dessa previsão hipotética que muito poderia tornar-se história. Eu não sei dizer se isso é bom ou ruim. Numa análise inicial, considerando só o até aqui e agora, ela é bem ruim. Pelo menos para mim.

Pois, diferentemente daquilo que eu mais desejei, as pessoas que deviam aprender de nada aprenderam sobre aquilo que deveriam. Elas na verdade acham que acertaram, e que alguém errou.

O que me tranqüiliza agora é o meu apego na teoria quântica de que tantas outras realidades e universos se formaram a partir desse momento, e que uma outra, hipotética, que imaginei e quem sabe possa o universo e a realidade regentes terem tomados como a correta, possa se concretizar daqui a quatro anos.

E essa hipotética realidade, sem mais delongas ou linhas desnecessárias, é simples e puramente isso:

Felipe Melo capitão do Hexa.


E ai todo mundo que procrastinou mais quatro anos de aprendizado vai realmente entender. Vai olhar para si mesmo, dizer “é...” e depois um outro “É.” final e absoluto, a mão apoiada num rosto com cara de cu. E vai olhar lá pra trás, lá para quatro anos antes, e perceber que um erro anterior tornou-se o mais absoluto acerto. E que isso torna ele, na verdade, um acerto desde o início. E que poderiam ter considerado isso, caso a perspectiva fosse considerada.


E então Dunga e Felipe Melo finalmente vão ensinar a quem ainda faltava aprender, que dentre coisas e mais coisas que regem nossas vidas, a ironia vez ou outra reina absoluta, as vezes dia aqui dia ali, as vezes de quatro em quatro anos.


E, acima de tudo, que aqui é pé na porta e soco na cara.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Sabedoria popular

Sabe a diferença entre um designer, um jornalista e um jurista leia-se adevogado?

Nenhuma.

sábado, 26 de junho de 2010

Essas merdas só acontecem comigo mesmo

tarado diz: oi
Vanessa diz: quem é?
tarado diz: tarado sp acho que tc outro dia
Vanessa diz: acho que não hein, de onde vc pegou meu msn mesmo?
tarado diz: no chat de bate papo
Vanessa diz: o_o
tarado diz: mas tudo bem tbem se não quiser ter mais um amigo
Vanessa diz: fiquei curiosa, que chat?
tarado diz: erótico acho
Vanessa diz: AHAHAHAHAHAHAHAHA
tarado diz: uol
Vanessa diz: ce ta falando sério?
tarado diz: pior que sim viu... mas tranquilo te deixo em paz a partir de agora ok vlw pela atenção
Vanessa diz: não não... quero saber quem foi que avacalhou comigo. não precisa ficar com vergonha não, sem preconceitos.. hahaha
tarado diz: eu ñ estou com vergonha
Vanessa diz: só é certo que alguém quis tirar uma com a minha cara
tarado diz: num era vc lá?
Vanessa diz: não
tarado diz: ah ta tudo bem
Vanessa diz: pois é
tarado diz: eu entrei lá de curioso saca ai tc com vc ( ou alguem que disse ser vc) e o papo foi bacana mas sem malicia papo de gente adulta naDA MAIS
Vanessa diz: entendi e ce lembra como a pessoa me descreveu? tipo, quantos anos eu tenho, de onde eu sou e tudo mais
tarado diz: 1.65 58 kg olhos negros cabelos lisos médios, casada
Vanessa diz: oq mais?
tarado diz: nada só isso msm, vc é de sp
Vanessa diz: e qtos anos eu tenho?
tarado diz: ñ tenho certeza mas acho que deram 25 ou 28 n~me lembro
Vanessa diz: tudo que você me falou tá totalmente errado hahahahaha ufa
tarado diz: desculpa moça não queria ter te incomodado
Vanessa diz: não não, relaxa eu ri
Vanessa diz: bom, obrigada pela cooperação viu? melhor sorte da proxima vez
tarado diz: por nada moça

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Tá fazendo o que?

Eu não sei se essa é a primeira vez que uma conversa de msn origina diretamente um post. Bom, não instantaneamente, ao menos.

Não sei se instantaneamente leva acento. Uma linha pontilhada vermelha apareceu abaixo dela. Duas vezes.

Mas o que me deixou curioso foi que 

não lembro mais o que me deixou curioso. Mas o que importa é que a frase "tá fazendo o que agora", redigida há menos de cinco minutos, me fez lembrar do início dessa década. Era Mirc. Er não de ser, Era de período. Tipo Era Dunga. Mas isso fica pra outra hora, pra quando eu souber quem vai rir. Pra caralho.

Era mIRC.

Bons tempos. Não que eram melhores, mas eram realmente bons. Você se preparava para entrar naquele mundo virtual de palavras e sacanagem e uns amigos aqui e ali e entre você e a rede estava uma interface quase sempre igual, as vezes vermelha e com a palavra AVALANCHE, as vezes não lembro a cor, mas que tocava "O Senhor da Guerra", ou, a mais legal de todas, que você clicava duas vezes com o mouse, vermelho, amarelo, verde e o que mais viesse surgiam na tela e um grande e sonoro "YOOOOO" lhe cumprimentavam e preparavam para o que der e viesse.

Depois era escolher o servidor, dar um /j alguma coisa e estar plenamente conectado com as pessoas do mundo. Ou da sua cidade, que já servia.

Mas isso não é sobre o mIRC, e sim sobre a evolução inimaginável que passou a internet nessa década. Antes você tinha de procurar a pessoa e perguntar a ela como ela se sentia, o que ela sentia, o que estava fazendo,  que esperava que aconteceria no dia seguinte. Hoje não precisa mais disso.

Naquela época pra você saber que música a pessoa gostava você perguntava "que tipo de música você gosta?" e ela te responderia ou não.

O tempo passou e as paradas evoluíram e você poderia saber que música era a preferida da pessoa só de entrar no orkut dela e ver as comunidades. Se ela não tivesse em nenhuma, bom, você ainda tinha de perguntar.

Como prediziam os filósofos do velho milênio, as relações sociais se estreitariam consideravelmente com o advento da internet.

Né?

Eles erraram. A culpa não é deles. É que a eles não foi reservado a maravilha de viver uma geração transitória, que pulou do analógico para o digital, enquanto a deles teve de correr a passos pesados e lentos. A gente aprendeu o que tinha de aprender, dominamos o que era necessário num piscar de olhos e nos presenteamos com uma convivência social que poderia sofrer manutenção de duas frentes diferentes: virtual e real. E vivemos bem assim. As pessoas continuam tendo problemas, mas isso é coisa normal do universo. Problemas sempre surgem. Novos.

No final da década rolou outra revolução, e agora os filósofos estão mais desnorteados que filha da puta cego em dia de tiroteio. Ouvi isso uma vez. Agora ao invés de você perguntar a outro o que ele ta fazendo, ele mesmo diz isso e você recebe a informação em tempo real. Pode ver também o que ele anda ouvindo, ou site que anda visitando nas horas de folga do trabalho. E você sabe que tudo isso é relavente, pois a pessoa faz questão de compartilhar isso com o mundo. E ela compartilha também as suas opiniões políticas e o que ela pensa sobre um monte de coisas, em poucas palavras ou não - caso você tenha um blog pra perder. 

Agora você não só organiza virtualemnte aquelas coisas que você gosta, você pega, aponta e anuncia para o mundo. Isso deixa as coisas muito mais fáceis pra todo mundo, inclusive para o mundo que não para e continua girando.