Na verdade, eu pouco ligo. Na verdade, anunciei no post anterior a existência dessa possibilidade porque nada tinha para fazer.
E o post saiu, e simplesmente, saiu espontâneo. Sem edições, na integra. Diferente do Big Brother.
Quando fui hoje de madrugada pegar um copo de coca na geladeira, de repente me veio na cabeça o quanto o Bonifácio tem cara de perdedor. O Boni, Boninho.
É. Esse é o nome dele. José Bonifácio.
E quando ele era criança ele apanhava pra caralho no colégio. Ele nunca disse isso, mas eu tenho certeza. Porque só assim pra ele crescer e virar um ser que se acha um ente que se acha importante mas na verdade é um merda.
Quando ele apanhava, uma roda se reunia em volta dele, que caído no chão, recebia chutes, pontapés e mata-leões. E gritavam e caçoavam dele, xingavam a mãe e diziam o quanto ele parecia com o Ovelha e com aquela bichinha gaga.
E se eu vou começar esse post de verdade com alguma coisa, é isso: Boninho é um merda.
Ele é um merda porque tenta ser alguém que não é: alguém importante. Se ele morresse hoje, provavelmente acabaria o Big Brother ou ele não seria mais o que é hoje. E se o Big Brother morresse ou deixasse de ser o que é hoje, ninguém se importaria.
Alguns achariam que se importariam, suas vidas se tornariam não-viváveis por algumas semanas, mas logo preocupações relevantes se apresentariam e eles teriam de tomar partido. Ai iam esquecer do Big Brother.
O pior medo do Boninho é que o Big Brother acabe, porque ai ele vai voltar a ser um merda. Ele poderia trabalhar na direção de elenco ou em qualquer outro lugar na Globo, mas não seria a mesma coisa. Por que ele não teria o mesmo controle sobre as pessoas. Pois no BBB ele tem controle sobre as pessoas dentro da casa, e até pouco tempo atrás, ele tinha controle sobre as pessoas fora da casa também. Ele podia mostrar o que quisesse e fazer os seus personagens parecerem agir da maneira que ele quisesse.
Só que ele teve de ceder à internet e deu no que deu. Ele aprendeu que você não pode controlar a internet, que um não pode controlar a internet. A não ser que você ou o um sejam a Skynet, Matrix, Neuromancer, etc.
E Boninho não é nenhum deles. Mas ele gosta de pensar que é. E quando ele descobriu que não era, voltaram todos os seus pesadelos de infância. Toda aquela dor do orgulho despedaçado vieram à tona, novamente. Coisas que ele já tinha superado e esquecido no passado.
Mas o que fudeu verdadeiramente o Boninho, foi que não só a internet mostrou-se a dona do seu querido programa, da sua querida criação, consequentemente trazendo os seus temores de infância e adolescência à tona, como quiseram também as variáveis do universo, que temores, medos e ódio infantil estivessem dentro do programa.
Boninho tomou no rabo legal quando os caras que pisavam e chutavam e socavam e viravam ele no lixo quando criança tornaram-se tangíveis e donos de sua própria vóz na forma de um dos competidores. Quando Boninho resolveu que brothers passados voltariam, achou ele estar com seus traumas superados ao ressuscitar o lutador de vale-tudo. E Bonifácio foi mais além, estava tão bem resolvido com seus temores de infância que estava tudo planejado para que o lutador pudesse entrar no programa sem aparente esquema explícito. Montou-se uma prova de resistência, que, teoricamente, seria vencida pela tribo dos esportistas, os representantes do lutador de moicano.
Só que eles não venceram. Ainda bem que o plano B já estava operando antes mesmo do A entrar em ação. Antes de cada um dos ressuscitados de programas anteriores disputassem seu lugar no novo, Bonifácio, com toda a delicadeza que lhe é característica, gritou no ouvido de cada um: "Aquele ali, ó. Chama ele se tu entrar". Ficou decidido então, desde o início, que o lutador entraria.
Boni estava tão seguro de sí que queria porque queria que o lutador entrasse na casa. Porque tudo fazia parte de um plano maior. O lutador seria o seu antagonista, pois, pensava ele conhecer o lutador só de olhar para ele, só de olhar os vídeos da edição anterior a que esse participou e de julgar que, como qualquer outro humano ao qual já tenha sido seu subordinado, este também não tinha mudado nada.
E talvez não tenha. Ou talvez tenha. Não importa. Não importa porque Boninho tomou no cu fortemente. E isso que importa.
E ele tomou no cu porque o lutador, em toda sua previsibilidade, acabou virando o jogo. Não sei como ele virou o jogo. Já vi gente falando, explicando, detalhando. Alguns eram phDs em Big Brother. Mas eu realmente não sei. Talvez seja por que ele tenha chorado, talvez tenha sido pela aversão dos outros à ele, talvez tenha sido porque ele foi ele mesmo. Talvez tenha sido porque ele achou que o idiota tava sendo idiota demais e disse para ele parar de ser idiota, e fez o mesmo com o viado, com o burro, e com muitos outros. Talvez o público tenha visto que o viado estava sendo viado demais, que o burro estava homéricamente burro, que o idiota superava-se a cada novo dia e, sentiu o público, que alguém precisava falar aquilo para eles. E o lutador fez isso.
Ou talvez tenha sido por outro motivo.
Não importa, porque Boninho tomou no cu fortemente. O lutador cresceu, e cresceu absurdamente. O lutador ganhou força e começou a peitar todo mundo. Inclusive Boni. E peitou, e ganhou.
Chutou, pisou, socou Boni.
E Boni chorou como uma menininha. Ele nunca revelou isso, mas eu sei que ele chorou. Você também sabe agora, porque descobriu ou porque agora ficou sabendo o quão frágil e desprezível é o Bonifácio. E você não consegue nem ter pena dele, porque ele é realmente desprezível. E arrogante. E idiota.
E foi por isso que eu fiquei realmente feliz pelo Boni ter perdido. E para que ele perdesse, o lutador tinha que ganhar. O lutador começou como um secudário, cresceu, virou protagonista, cresceu, e cresceu mais que o autor da história, e chutou a bunda dele. Várias vezes.
O lutador era um arquétipo, e em sua arrogância, Boni achou conhecer esse arquétipo, achou ser possível e incrivelmente fácil prever como agiria esse lutador, pois o lutador do big brother não só representa um lutador, mas representa também outros ideais, outros temas, outros conceitos que um personagem deve apresentar. E Boni achou que ele faria isso tudo. E fez. Só que o lutador foi além, por que ele é um lutador, e esse, presume-se, ataca alguém.
Um lutador, como diz a palavra, luta. E ele lutou, distribuiu porrada, grocerias e pedreiragens. Só que esse lutador tinha inteligência. E sorte. E carisma. E, acima de tudo, era diferente. Era o mais diferente, pois era único. Único no meio de tantos diferentes que acabaram se tornado iguais. Que se tornaram whatever. Eles queriam que esse big brother promovesse a igualdade. E promoveu. Foi bem sucedido. Mas ninguém avisou a eles que poderia promover a igualdade e necessariamente uma dessas minorias, recém adquirentes do seu status de igualdade sairia vencedora do prêmio material.
Restou a eles o prêmio moral: igualdade promovida, aceitação adquirida. Mas quem venceu foi o lutador, o antagonista, que no meio de tantos bons moços e moças, tanta gente que queria se fazer aceitável, foi o verdadeiramente aceito, porque, acima de tudo, foi aquilo que tinha de ser: competidor. Antagonista, na origem graga da palavra, significa: oponente, rival, competidor. Os outros entraram pra disputar a medalha moral, e só isso.
Eles ganharam o segundo lugar. Boni ficou com o quarto, sem medalhas. O lutador ganhou o primeiro lugar, e assim que saiu disse que a vitória foi "nossa", de muitos, que "ganhamos eu e vocês", e é verdade. Quem perdeu foi o Boni. Pois o lutador ali dentro virou uma força, uma força inesperada, imensurável, incontrolável: a força da internet, a força da livre opinião, do pensamento livre, que Boni aprendeu há dois dias atrás ser uma força que não pode ser contrariada, não pode ser vencida, não pode ser provocada.
Porque ela é pura e simplesmente o desejo, a vontade das pessoas. As pessoas que o Bonifácio não tem controle algum.
"Eu tenho o Poder Absoluto", é realmente uma frase que se encaixa perfeitamente no contexto. Como um todo.



Cara, genial. Simplesmente genial, companheiro.
ResponderExcluirABS DE ADMIRAÇÃO