As vezes me pego refletindo se apenas uma linha é o bastante para descrever uma ação inteira. Penso que não, ainda mais se dentro ou por entre essa ação existirem pensamentos, dúvidas, falas exaltadas ou falas nunca ditas. Mas uma linha pode contar sim, uma história.
Ernest Hemingway certa vez protagonizou um momento épico da literatura - coisa que ele fez mais de uma vez -, quando desafiado a escrever uma história em apenas seis palavras, apresentou: "à venda: sapatos de bebês. Nunca usados".
Então, sinto-me obrigado a acreditar que uma linha e apenas ela é capaz de levar alguém do Brasil à Mombasa, Johanesburgo, à puta-que-pariu e de volta. E que três são capazes de contar a história de um cara que não tinha braços, comprou um carro e bateu na primeira curva. Uma carreta desabou em cima e ele perdeu as pernas. Morreu dias depois e o nome dele era João, o cara mais fodido que já conheci. Nunca soube como ele conseguiu trocar as marchas.


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