De uns anos pra cá - dois, talvez três - eu peguei um costume muito peculiar. Passei a adotar gírias em meu cotidiano. Mas não gírias comuns, e sim gírias de fontes midiáticas, predominantemente da Internet. Não eram coisas nerds e geeks como owned, pwned e coisas parecidas, apesar de ter me pego duas vezes pensando comigo mesmo "esse cara foi ownado".
Essas gírias são gírias, e também servem de adjetivos. Gramaticalmente, elas são substantivos. Uso-as para fazer homenagem, completar a descrição de alguém, etc. Exemplos?
Mestre.
Schwarzenegger é um mestre. Mestre Schwarzenegger. Mestre Stallone. Mestre Van Damme. Mestre Bruce Willis. Recentemente, Jason Statham tornou-se um mestre. Não só de filmes provém os mestres. Eles veem da música, futebol, cultura pop, cultura inútil, cultura nerd. Snake é mestre. Don Corleone é mestre. Seu Madruga mestre semi-supremo. Billie Jean Davy é... mestra? Jan futuramente será uma. Ninja é mestre inspirador. George Lucas é mestre. Darth Vader é mestre. Indy, Han Solo, o próprio Harrison Ford. Sidney Magal. Tim Burton. Roberto Carlos (ambos). Patrick M'boma. T-800. Urdnod Wrex. Morgan Freeman. Kanu. Zé Ramalho. Jack Nicholson. Bob Dylan. Gimli "AND MY AXE" são mestres. A lista é grande. Mas eles não são tantos assim.
Ah, William Gibson é outro mestre semi-supremo. Sem ele eu não estaria aqui. No blog, eu digo.
Outra palavra?
Épico.
Sucintamente, a definição de épico é algo estrondosamente dotado de foderosidade suprema. Rambo. Todos eles. Rocky. Também todos eles. O Demolidor, e parei de Stallone por aqui. Conan é épico. Exterminador do Futuro 1 e 2 são indubitavelmente épicos. O 3, talvez. O Vingador do Futuro é épico. Comando para Matar é épico. True Lies é absurdamente épico. Predador, além de épico, ensina a todos nós como agir como homens. Se você quer ser macho, independente do sexo, assista Predador. O Último Grande Herói é épico. Até mesmo Um Tira No Jardim de Infância é épico. E ele ainda nos ensina que "meninos tem pênis e meninas tem vagina". Arnoldão, sem dúvidas, foi um de nossos grandes professores. Como os Mestres, também os Épicos não vivem só de filmes. Neuromancer é épico, Monalisa Overdive é épico. Metal Gear Solid é épico. Todos eles. E o 4 ainda nos ensina novos conceitos de epicidade. Halo é épico. Mass Effect é épico. Star Wars é épico. Knights of the Old Republic, O Arco-Íris da Gravidade, Show do Milhão, bolachas Passatempo, batatas-fritas, o bagulho que o Maurício de Sousa fumou. Todos esses são épicos. Led Zepellin é ÉPICO. Com letras maiúsculas.
Escrever Metamorfose Ambulante aos 13 anos é épico.
Deuses
Terceiro e último, existe o termo Deuses. Não é necessária alguma explicação. Jimmy Page é Deus. Jimi Hendrix é Deus. Janis Joplin é Deus, pois me sentiria desconfortável de chamá-la de deusa. Outros superam seu status de mestre e tornam-se também, deuses. Arnoldão, Hideo Kojima, Seu Madruga, Bob Dylan. Snake. Tony Montana. Silvio Santos. Bob Marley. Ferris Bueller.
O que me entristece é que nunca vou lembrar de todos eles.
Finalizando, e sendo sincero, admitindo que esse foi o motivo do meu post, eu gostaria de comentar dois casos. Duas novas adições.
O primeiro é o Lúcio.
Eu sempre botei fé nele. Sempre vi no monocelha o xerife que precisávamos. O cara correto, íntegro e com moral pra xingar todo mundo na hora que precisa. Criticaram ele. Criticaram incessantemente Lúcio. Poucas vezes tiveram razão. Mas esse cara bronco, desengonçado e pedreiro que baixa o santo de vez em quando e o filho da puta faz uma jogada mágica, é campeão do mundo, campeão da américa e da copa das confederações. Duas vezes. Ontem xingaram ele mais algumas vezes. Ele foi descartado pelo seu clube, o Bayern de Munique. Hoje ele levantou a taça da Copa das Confederações. Levantou, literalmente. Ele era o capitão. E fez o gol da virada, que também foi o gol da vitória.
Ele sempre foi, mas hoje ele mereceu essas linhas, essas fotos. Mereceu levantar aquela taça.
Lúcio é Mestre.
O último ponto a comentar, é a minha real e verdadeira razão desse post. Fiquei em dúvida se falava isso direto, sem enrolar como eu tanto adoro fazer, mas o Lúcio, mais do que todos hoje, merecia uma menção. E para isso eu precisava introduzir esses dois conceitos. Foi então que decidi falar de mestres, épicos e deuses. A minha última homenagem não se trata de nenhuma delas em específico, ou talvez, pela perspectiva certa, seja de fato todos eles juntos. É claro, eu só posso estar falando de uma pessoa. Eu não quero comentar o que ele foi, o que fez, o que deveria ter feito, o que deixou de fazer. Isso renderia 40 posts, e eu não tenho tempo pra isso, por mais que ele merecesse. Eu vou tentar ser breve. Vou começar com um limite de palavras para falar de Michael, mesmo sabendo que vou ultrapassá-lo.
Ele transcendeu os meus conceitos, que não são lá grande coisa, e também esse fato não tem tanta importância. Só que ele trascendeu outra coisa. A própria mídia. Ele a revolucionou, moldou, liderou. Isso foi esquecido quando uma série de infortúnios começaram a surgir por todos os lados. Alguns nunca foram provados. Outros são mistérios até hoje. Esses infortúnios tiveram muita força nas últimas décadas, o bastante para afetar o artista e sua imagem de uma forma semelhante ao ostracismo. Até ele anunciar um recomeço.
E então ele morreu. E toda a vida dele voltou para a mídia. Do conturbado início ao conturbado fim. Todas as matérias lembravam ambos os lados da carreira dele. A ascenção e decadência. Só que todas, sem exceção, terminavam seu material apresentado com uma conclusão, ainda que não fosse pronunciada e escrita. Essa conclusão, de maioria imagens, músicas, clipes, mostrava a verdade sobre Michael. Quando um clipe com imagens dele, em silêncio - pois a música era desnecessária - encerra o Jornal Nacional e outros programas da BBC, ABC, CNN e qualquer outro canal do mundo, nós chegamos a uma conclusão. Eu, pelo menos, cheguei a ela.
Michael Jackson é Mito. E um Mito sobrevive a quaisquer especulações e acusações. Um mito é maior do que tudo isso. Ele sobrevive ao tempo, ele forma a história. Ele podia ter feito isso com um só disco, mas ele foi além. Ele sabia que podia mais, e conseguiu.
Podem cháma-lo do que quiser, de ofensas, xingamentou ou títulos - Rei do Pop, o qual ficou conhecido - eu mesmo posso chamá-lo assim inconscientemente, mas a palavra mito sempre acompanhará, ainda que silenciosa, qualquer pronúncia ou referência ao seu nome e sua obra.
Termino com duas conclusões:
1- ele é o único artista que pode, e merece, a partir de agora, ter um disco lançado com o nome Legend. Apenas um cara em toda a história da música teve essa moral. Michael deve ser o segundo.
2- O mundo, no dia 26 de Junho de 2009, amanheceu menos dançante.


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